Provocações de Kim mudarão trajetória norte-americana?
Os testes norte-coreanos continuam, com mísseis e para testar a tolerância global com as provocações. A tirania nuclear de Kim Jong-un anunciou com o habitual tom de bravata que o míssil testado na terça-feira poderia atingir qualquer lugar do planeta.
Com mais comedimento, especialistas acreditam que o teste talvez tenha demonstrado a habilidade norte-coreana de atingir o estado norte-americano do Alaska caso o míssil estivesse em plenas condições técnicas e na trajetória padrão (neste caso a viagem terminou no mar perto do Japão).
Existe um debate se o teste de terça-feira realmente envolveu o primeiro lançamento de um míssil balístico intercontinental, que tem alcance mínimo de 5.500 quilômetros. O fato é que com testes cada vez mais frequentes, o regime norte-coreano aprimora seu programa nuclear.
Obviamente, a capacidade de provocação norte-coreana já é bem avançada. Kim Jong-un foi impecável para escolher a data para o teste, o 4 de julho, dia da independência americana (não com meros fogos de artifício) e ainda por cima na semana de preparações para a cúpula do G-20, em Hamburgo, na Alemanha.
Será a primeira cúpula com a participação de Donald Trump, quando o presidente americano deverá renovar as pressões para que a China, o único sustentáculo externo do regime de Kim Jong-un, faça alguma coisa para conter o irrequieto gângster nuclear.
Por ora, o presidente tuiteiro foi coerente. Ele tuitou, perguntando se o ditador norte-coreano não tem mais nada para fazer. Kim Jong-un se mostra disposto a desafiar sanções internacionais e os alertas de vizinhos e dos países mais poderosos do mundo.
Até agora, os EUA não alteraram o cálculo estratégico. Desde os anos 90, acenam com opções militares, mas recuam diante da constatação de que a Coreia do Norte pode retaliar com um devastador ataque com artilharia convencional contra Seul, a capital da Coreia do Sul, a 50 quilômetros da fronteira.
Com os avanços técnicos nos testes norte-coreanos e alguém como Trump no poder em Washington, a trajetória norte-americana pode efetivamente mudar.
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