Léo comenta futuro como dirigente e critica antiga diretoria do Santos: “não eram do futebol”

  • Por Lucas Reis/Jovem Pan
  • 15/10/2015 09h50
SANTOS, SP, 15.08.2013: TREINO/SANTOS – Leo durante treino do Santos no CT Rei Pelé para o jogo contra o Bahia pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro 2013, no domingo (18). (Foto: Ricardo Saibun/Agif/Folhapress)Aposentado desde abril de 2014

Em quase 500 jogos com a camisa 3 do Santos, o ex-lateral esquerdo Léo se tornou um dos grandes ídolos da história do time da Vila Belmiro. Com dez anos de clube, o canhoto acumulou títulos, ganhou o carinho da torcida e virou “guerreiro da Vila”. A bonita história pelo alvinegro praiano terminou em 2014, mas não da forma esperada, e o ídolo santista sente que sua relação com o Peixe ainda não terminou.

Aposentado desde abril de 2014, Léo conversou com exclusividade com o Jovem Pan Online e lamentou não ter se despedido da forma que gostaria do Santos e se disse triste por não ter feito uma partida de despedida.

“Não foi como eu queria. Não vou negar isso. Eu poderia ter feito mais dois jogos para parar de uma maneira correta pela história que tenho no clube”, afirmou. “Fiquei chateado na época, não foi por contrato, nem nada, foi por dois jogos para que me despedir e não tive essa oportunidade”, completou Léo.

Magoado com a antiga diretoria, o histórico camisa 3 destacou que sua vida no Peixe não se encerrou e que está se preparando para assumir um cargo na direção do clube. Léo ainda elogiou o lateral Zeca, valorizou o trabalho de Dorival Junior, dos veteranos do time, e ainda comentou a “magia” da Vila Belmiro.

Futuro dirigente

Léo nunca escondeu seu desejo de ser dirigente do Peixe. Ao Jovem Pan Online, o ex-jogador destacou seu grande objetivo para o futuro.

“Estou estudando, aprendendo os bastidores do futebol dentro do Santos Futebol Clube, procurando me aprofundar nessa área que pra mim é nova. Minha ideia é trabalhar na direção. Mudar um pouco. Existe uma barreira muito grande entre direção e jogadores. Eu entendo que no futebol moderno isso tem que mudar. É uma coisa só, uma engrenagem só. Não tem que existir barreira entre direção é atletas. Eu convivi com isso e sei o que é. O atleta tem que ver a direção como um parceiro”, afirmou o ex-lateral, hoje com 40 anos.

“Não é bom se você olha pra sua direção e vê problema. Vejo que ali (na atual direção do Santos) todo mundo fala a mesma língua, nas reuniões procuram definir o melhor para os atletas. Não é a toa que o Santos conseguiu uma ascensão muito grande”

A mágoa na aposentadoria

“Foi no momento certo, mas não foi como eu queria. Não vou negar isso. Eu poderia ter feito mais dois jogos para parar de uma maneira correta pela história que tenho no clube. Mas quem estava no comando achou que não, pessoas que não eram do futebol, então não teria como cobrar”, lamentou

“Se não tivesse lesão, dava pra esticar mais um pouquinho. Mas eu sentia muitas dores e não tinha como levar pra frente. Fiquei chateado na época, não foi por contrato, nem nada, foi por dois jogos para me despedir e não tive essa oportunidade”, completou.

O trabalho de Dorival Junior e a reação do Santos no Brasileiro

Titular no histórico time do Santos de 2010/2011, Léo trabalhou com Dorival Junior. Hoje, vendo de fora, o ex-camisa 3 rasgou elogios ao comandante que retornou ao Peixe.

“O mérito do Dorival é total. É um treinador que tem uma empatia absurda dentro do Santos, uma identidade enorme. Sabe trabalhar experiência com juventude, que é o que o Santos sempre fez. Consegue arrancar desses meninos que estão surgindo o melhor. É uma somatória de coisas. Ele foi pra fora do país, deu uma estudada, viu como o futebol mudou, implantou isso no Santos com uma garotada que sabe jogar futebol e jogadores experientes”, elogiou.

Zeca: o novo dono da lateral esquerda do Peixe

Durante dez anos (divididos em duas passagens: 2000 a 2005, e 2009 a 2014), Léo ocupou a ala esquerda do Peixe. Hoje, sua posição é ocupada por um “menino da Vila”, Zeca, de 21 anos. Vendo muito futuro para o jovem, o ex-lateral elogiou o garoto que ganhou a posição com Dorival.

“Diariamente acompanho o Zeca nos treinamentos, nos jogos. Converso com ele. Promissor demais, está arrebentando, dando conta do recado, não está sentindo o peso de jogar no Santos. No começo, estava praticamente negociado. É a oportunidade: surgiu, o atleta se colocou a disposição e fez acontecer. Ele aproveitou e está muito bem. É continuar no mesmo ritmo, com pés no chão, tem um futuro promissor”

A importância dos “veteranos” da Vila

“Voz da experiência” em duas gerações vencedoras do Santos (time de 2002 e de 2010), Léo destacou a importância de ter jogadores rodados no elenco para dar suporte aos jovens promissores.

“Orientação. Segurança. Os atletas mais novos precisam de segurança. Quando a coisa não está muito bem, chega aquele cara mais cascudo, com peso e bagagem maior e fala ‘pera aí, eu seguro a bronca’. A importância é essa: passar para o menino que está subindo tranquilidade”

A “magia” da Vila Belmiro

Em suas duas passagens pelo Peixe, o canhoto disputou 455 jogos, muitos deles na Vila Belmiro. Conhecendo bem o estádio alvinegro, o “guerreiro” destacou a “magia” da casa santista.

“Pressão. A pressão que a Vila exerce… É tudo muito próximo. A pressão da torcida. O ritmo da equipe que é muito ofensiva. A Vila é magica, é diferente. Nós que jogamos ali conhecemos cada centímetro. E o adversário se sente intimidado. Você entra pra jogar contra o Santos, é complicado. Eu joguei contra o Santos pelo União São João, eu sei o quanto é complicado. Então, fora a qualidade que o time tem, a pressão que o torcedor exerce, é muito complicado jogar”

“Intimida, a pressão é a mesma. É a Vila! Era ainda mais complicado. Agora é que colocaram camarotes. Eu, jogando no Santos, o que eu escutava quando tinha os alambrados, era complicado pra caramba. Agora está até mais tranquilo. Mas é absurdo. Eu imagino a Vila, podendo ampliar. Seria mais complicado ainda”

“Acho que o Santos tem que acompanhar a modernidade, o desenvolvimento. A Vila vai ser sempre a Vila, mas por que não um novo estádio? Acho isso preponderante. É um clube grande, não preciso nem ficar falando, mas que precisa de um novo estádio”