Verba do Ministério do Esporte, Bolsa Pódio chega em boa hora para atletas

  • Por Estadão Conteúdo
  • 30/06/2017 09h19 - Atualizado em 30/06/2017 09h20
Priscilla Steveaux é a atual 13ª do mundo no ranking do BMX

Em um ano de vacas magras no esporte olímpico, pós-Jogos do Rio 2016 e com muitas empresas diminuindo investimentos, o Ministério do Esporte designou R$ 23,8 milhões ao ano para o pagamento do Bolsa Pódio, programa que tem o objetivo de patrocinar atletas com chances de medalhas e de disputar finais nos Jogos Olímpicos.

A ciclista Priscilla Stevaux, do BMX, foi uma das 183 contempladas no novo edital que foi publicado recentemente. A verba de R$ 8 mil mensais será fundamental para a atleta, que teve a sua bicicleta roubada recentemente e não tem condições de comprar no momento um equipamento novo. O valor varia para cada atleta e ela ainda não começou a receber o benefício.

“Eu recebi já uma vez em 2015, com o título de 2014. Tenho como planos investir na minha carreira esportiva, em busca de melhores infraestruturas para que eu possa aprimorar ao máximo meu desempenho e conseguir a classificação do Brasil para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Porém, ainda não sei quando vai sair e está fazendo muita falta um apoio neste momento”, disse a ciclista.

Na semana passada, ela estava no intervalo de um treino quando foi abordada por quatro pessoas, uma delas armada. Levaram a sua bicicleta e o carro do irmão. A polícia conseguiu recuperar o veículo e prendeu os assaltantes, mas até agora o seu equipamento de treino não foi encontrado. “A polícia foi muito eficiente e conseguiu abordá-los em flagrante com o nosso carro em 7 horas, porém a bicicleta não foi encontrada. Eles já haviam se livrado dela para não chamar ainda mais atenção da polícia”, contou Priscilla Stevaux.

Sem a sua bicicleta de BMX, ela já está em Campo Bom, no Rio Grande do Sul, para a disputa da etapa do Campeonato Brasileiro da modalidade. Ela defende o tricampeonato, mas terá de improvisar para a competição. “Continuo procurando a bicicleta, mas ainda não foi encontrada. Tenho divulgado ao máximo nas mídias e redes sociais para que seja vista e se encontrada que seja devolvida, mas minhas esperanças já estão menores. Estou à procura de soluções para que eu consiga recuperá-la ou montar outra, pois meu material de trabalho está fazendo muita falta”.

Fui assaltada hoje treinando aqui em Sorocaba ao lado da usina cultural ,apontaram a arma para meu irmão , eu e meu…

Publicado por Priscilla Stevaux em Quinta, 22 de junho de 2017

 

Além do Campeonato Brasileiro, o que mais aflige a ciclista é a proximidade do Campeonato Mundial, que será realizado de 25 a 29 de julho, em Rock Hill, nos Estados Unidos. Ela é 13ª do mundo e a falta de um equipamento próprio e personalizado pode atrapalhar seu rendimento. “Uma bicicleta como a que foi roubada custa por volta de R$ 7 mil e hoje eu não tenho o valor para comprar uma nova”, lamentou.

Priscilla Stevaux conta com apoio da Shimano, que dá algumas peças, Chase Bicycles e Powercyclesbmx, que oferecem alguns descontos em materiais. “Tirando isso, possuo apoio do hipnoterapeuta Rogério Castilho”, contou a atleta, que representa o Clube de Ciclismo de São José dos Campos e a Confederação Brasileira de Ciclismo. “Estou montando uma bike com algumas peças antigas e algumas emprestadas do meu irmão, que também é atleta, para não deixar de defender meu título de campeã brasileira neste final de semana”.

PATROCÍNIO – As dificuldades de Priscilla Stevaux são semelhantes às de muitos outros atletas brasileiros. Os recursos minguaram, mas o Ministério do Esporte promete continuar investindo no Bolsa Pódio. “No ciclo Rio 2013-2016 foram contemplados 322 atletas, por meio de três editais de seleção pública. O programa também prevê a reavaliação da permanência do atleta anualmente, desde que ele cumpra o plano esportivo, previamente aprovado pelo grupo de trabalho, e mantenha o ranqueamento da respectiva entidade internacional”, afirmou o ministério, em nota.

O investimento, até setembro de 2016, somou R$ 74,1 milhões, o que representa um desembolso médio anual de R$ 18,5 milhões. “A proposta é investir de forma contínua durante o ciclo Olímpico e Paralímpico, com o objetivo de contribuir para uma preparação adequada visando à próxima edição dos Jogos, com o aprimoramento e até ampliação do Bolsa Pódio”, continuou o ministério.

Para a campeã olímpica na vela Kahena Kunze, o programa é uma espécie de garantia. “Qualquer esporte de alto rendimento requer um financiamento maior, especialmente o nosso esporte, que demanda um pouco mais de dinheiro”, afirmou a velejadora, ouro nos Jogos do Rio-2016 ao lado de Martine Grael. “A gente recebe o Bolsa Pódio desde o começo do ciclo passado e tem ajudado bastante nas nossas viagens, preparação. É bom porque a gente tem uma estabilidade (na entrada de recursos). Não é como com empresas, que pode haver alguma reviravolta de deixar o patrocínio”.

Os valores do Bolsa Pódio variam de R$ 5 mil a R$ 15 mil – são quatro faixas de valor. A remuneração considera critérios técnicos e leva em consideração o ranking mundial do esporte e os resultados em campeonatos mundiais e Olimpíada.