Em depoimento à CPI da Petrobras, doleiro afirma que Planalto sabia de esquema investigado pela Lava Jato

  • Por Jovem Pan
  • 11/05/2015 15h32
CURITIBA,PR,11.05.2015:CPI-PETROBRAS - Doleiro Alberto Youssef em depoimento na CPI da Petrobras, na manhã desta segunda-feira (11), no prédio da Justiça Federal em Curitiba (PR). A CPI deve ouvir os 13 investigados pela Operação Lava Jato que estão presos no Paraná até amanhã. (Foto: Félix R. /Futura Press/Folhapress)Depoimento de Yousseff à CPI da Petrorbas

Em depoimento à CPI da Petrobras nesta segunda-feira (11), o doleiro Alberto Youssef disse que o Palácio do Planalto sabia do esquema de financiamento de campanha investigado na Operação Lava Jato.

Acusado de ser o principal operador de esquema de lavagem de dinheiro de propina da Petrobras, Youssef é um dos delatores do esquema. Em mais de 50 depoimentos à Justiça Federal, ele disse que a propina era paga a diretores da estatal e a partidos políticos por empresas contratadas pela petrolífera.

O Planalto sabia

Segundo ele, em 2011 ou 2012, houve um “racha” entre os líderes do PP e isso foi motivo de discussão dos líderes com a Casa Civil e a Secretaria-Geral da Presidência da República.

De acordo com Youssef, Paulo Roberto Costa disse que o Palácio do Planalto é que iria designar o novo “interlocutor” do partido. O líder do PP, na época, era o deputado Nelson Meurer (PP-PR).

Com o racha do partido, o Palácio do Planalto, com a participação de Paulo Roberto Costa, escolheu o deputado Arthur Lira (PP-AL) para substituir Meurer. Youssef disse que a troca de líderes foi feita por intermédio da então ministra Ideli Salvatti e do então secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

“Fui uma engrenagem neste processo”

Segundo o doleiro, ele não foi o mentor das irregularidades, “mas uma engrenagem nesse processo”. Youssef afirmou conhecer outras pessoas investigadas no âmbito da Lava Jato, como Fernando Soares (conhecido como Fernando Baiano), Júlio Camargo (Toyo Setal) e o ex-policial Jayme Alves de Oliveira.

Financiamento de campanha

O doleiro afirmou ter participado do financiamento de campanha de políticos do PP, PMDB e PT.

Apesar de não mencionar nomes, Youssef disse que financiou campanhas de diversos candidatos do PP a pedido do ex-deputado, José Janene.

Ele admitiu ainda ter financiado as campanhas dos senadores Valdir Raupp (PMDB-RO) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), a pedido de Paulo Roberto Costa.

Repasse de R$ 400 mil à cunhada de Vaccari

O doleiro confirmou que entregou o valor a Marice Corrêa de Lima, cunhada do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Esse dinheiro, segundo disse à CPI, foi pago por ele a pedido da empresa Toshiba.

O pagamento seria dividido em duas ocasiões. Na primeira, Youssef entregou pessoalmente o dinheiro a Marice, no escritório do doleiro.

A segunda, em espécie, teria sido entregue no diretório do PT. O dinheiro, somou cerca de R$ 800 mil de um total de R$ 1,4 milhão.

Lula ordenou pagamentos a empresa ligada à Petrobras

Ele afirmou que o ex-presidente Lula mandou fazer um pagamento para a agência Muranno Marketing, que prestava serviços à Petrobras.

“Quem me contou isso foi o Paulo Roberto Costa”, disse Youssef, em referência ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras apontado como beneficiário de propinas de empresas contratadas pela Petrobras para o financiamento de partidos políticos.

Políticos que receberam propina

O doleiro disse que, na maior parte das vezes, os nomes e valores destinados aos beneficiários eram repassados a ele pelos líderes do PP, Nelson Meurer, Mário Negromonte e João Pizzolatti; e a políticos de outros partidos.

Além dos líderes do PP, os políticos que ele afirma ter ajudado com recursos, direta ou indiretamente, foram os seguintes: Aguinaldo Ribeiro, Ciro Nogueira, Dilceu Sperafico, Eduardo da Fonte, José Otávio Germano, Lázaro Botelho, Luis Carlos Heinze, Luiz Fernando Farias, Renato Molling, Roberto Brito, Roberto Balestra, Waldir Maranhão, José Mentor, Lindberg Farias, Fernando Collor, Fernando Bezerra, Aline Corrêa, João Leão, Pedro Corrêa, Pedro Henry, Cândido Vaccarezza e Luiz Argôlo.

Propina vinha de lucro

Youssef disse que, muitas vezes, o percentual de propina (que ele chama de “comissionamento”) de 1% acabou reduzido a pedido dos empresários.

“Na minha concepção, não havia superfaturamento. Muitas vezes, os empreiteiros pediam que o comissionamento fosse reduzido porque eles não estavam dando conta de fazer a obra com esses pagamentos”, disse. “Por isso, muitas vezes, o comissionamento de 1% foi reduzido”, concluiu.

Vice-presidente da Câmara recebeu propina

Youssef disse que o vice-presidente da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), recebeu dinheiro oriundo de propinas pagas por empresas contratadas pela Petrobras. “Não dá para dizer que esse dinheiro vinha do contrato A ou B. Era um somatório dos contratos”, disse.

Presidente da Câmara foi citado

Youssef também mencionou no depoimento o nome do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Segundo Youssef, o empresário Júlio Camargo pediu a ele que pagasse a propina ao empresário Fernando Soares, que seria o operador do PMDB, para evitar que Cunha pedisse informações sobre o contrato da Petrobras com a empresa Toyo pelo aluguel de sondas pela Petrobras.

Financiamento de campanha de Dilma Rousseff em 2010

O doleiro afirmou, diversas vezes, que desconhecia esse pagamento e que também não conhece o ex-ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Pallocci.