Ex-capitão do Bope critica Pezão e afirma: “não vai resolver em dez meses um cenário de décadas”

  • Por Jovem Pan
  • 17/02/2018 14h36 - Atualizado em 17/02/2018 14h38
FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDORio de Janeiro já tem a presença de tropas do exército nas ruas da cidade

O ex-capitão do Bope Paulo Storani afirmou, em entrevista exclusiva à Jovem Pan, que a intervenção no Rio de Janeiro é, na verdade, uma intercessão do governador do Estado, Luiz Fernando Pezão, e não da segurança pública. De acordo com ele, a ação ocorre devido à “incapacidade e incompetência já demonstrada”.

Storani disse ainda que não acredita que a intervenção federal vai surtir efeito na segurança do Rio de Janeiro. De acordo com ele, “não vai resolver em dez meses um cenário construído ao longo de décadas”.

“Nós temos uma legislação permissiva, voltada para proteger bandidos e fazer com que ele continue sendo bandidos. Pode chegar, depois de dez meses de intervenção, à conclusão que vários foram presos e colocados em liberdade para responder pelo crime para o qual foram presos e que sequer retornaram para dar continuidade ao processo”, afirmou o ex-capitão do Bope.

Storani defendeu ações sociais para resolver, em longo prazo, o problema da criminalidade do Rio de Janeiro.

“Não pode se limitar a ação de polícia. Tem que ser acompanhado de ações pra atender àquela população local, que são as famosas ações sociais, pelo menos pra intervir esse círculo vicioso que alimenta o crime no Rio de Janeiro. É o jovem ter o crime como opção, não ter outra oportunidade. É a falta de tratamento ou criação de oportunidade não só pro jovem, mas para aquelas pessoas que estão desempregadas nas comunidades. É a gente pensar em outras formas de agir e não em contenção policial, que é o que tem sido feito nos últimos 30 anos e estamos agora provando que não é a solução”, explicou.

Carnaval

O Rio de Janeiro registrou diversas ocorrências de assalto, roubos, furtos, entre outros crimes durante as festas de carnaval na cidade. De acordo com o ex-capitão do Bope, Pezão foi informado de uma ação que poderia ter reduzido os casos de violência, mas não considerou a ação.

“Antes do carnaval, houve uma reunião com a cúpula da segurança pública e o governador, e uma recomendação de desmobilização de boa parte das UPPs e redistribuição dos efetivos das UPPs para os batalhões da Polícia Militar, inclusive, para reforçar a atividade rotineira, que é o policiamento ostensivo, é o policial na rua, inclusive se preparando para o carnaval. Foi negado pelo governador do Estado”, revelou Storani.

Durante o feriado, Pezão e Crivella, prefeito do Rio de Janeiro, viajaram. O governador estava em outra cidade do estado, já o segundo, estava na Europa buscando “soluções tecnológicas” para a segurança. Após o carnaval, Pezão admitiu que o Rio não estava preparado para receber o carnaval no que diz respeito à segurança.