Militares que fuzilaram músico com 80 tiros vão a audiência de custódia

  • Por Jovem Pan
  • 09/04/2019 17h57
Jose Lucena/Estadão ConteúdoDez militares do Exército foram presos pelo fuzilamento do música Evaldo Rosa dos Santos

Os dez militares do Exército presos e investigados pelo fuzilamento do músico Evaldo Rosa dos Santos, de 46 anos, irão à audiência de custódia nesta quarta-feira (10). A audiência será promovida pela 1ª Auditoria da 1ª Circunscrição Judiciária Militar e acontecerá às 14h.

O carro em que Evaldo estava com a família, em Guadalupe, zona norte do Rio de Janeiro, foi alvo de mais 80 tiros, que ainda feriram mais duas pessoas. O crime ocorreu na tarde de domingo (7), quando o veículo foi supostamente confundido com um automóvel em que estariam criminosos.

O músico levava a família para um chá de bebê, quando o carro cruzou com um grupo de militares, que estariam no perímetro de patrulhamento da Vila Militar. Segundo testemunhas, não havia operação policial e não houve ordem para que o motorista parasse Sem aviso, os militares dispararam uma saraivada de tiros.

De acordo com o Ministério Público Militar, “a perícia do local foi feita nesta segunda-feira (8) pela Delegacia de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Os militares envolvidos foram afastados e encaminhados à Delegacia de Polícia Judiciária Militar para tomada de depoimentos”. Também foi ouvida uma testemunha civil.

Segundo o Superior Tribunal Militar (STM), “após as oitivas, foi determinada a lavratura da prisão em flagrante de 10 dos 12 militares envolvidos, por descumprimento de regras de engajamento”.

O STM reforça que a “Audiência de Custódia é um ato do direito processual penal em que os indiciados por um crime, presos em flagrante, têm direito de ser ouvidos por um juiz, que analisará as prisões sob o aspecto da legalidade, da necessidade e da adequação da continuidade da prisão ou da eventual concessão de liberdade, com ou sem a imposição de outras medidas cautelares”

Durante a Audiência, também serão ouvidas as manifestações do Ministério Público Militar, da Defensoria Pública ou dos advogados dos presos.

*Com Estadão Conteúdo