Sem entrar em detalhes sobre operação da PF, Dilma se defende de delação: “imoral e mesquinho”

  • Por Jovem Pan
  • 04/03/2016 17h30
Brasília- DF 04-03 2016 Presidenta Dilma durante pronunciamento. Foto Lula Marques/Agência PTDilma Rousseff se diz indignada com coerção de Lula

 Em pronunciamento oficial após o mandado de condução coercitiva ser feito contra o ex-presidente Lula, a presidente Dilma Rousseff usou a oportunidade para se defender das acusações reveladas pela revista IstoÉ sobre a delação premiada do senador Delcídio Amaral.

“É lamentável que ocorra o vazamento de hipotética delação, que teve como objetivo único de atingir o meu Governo. Um objetivo imoral e mesquinho de vingança”, afirmou em coletiva no Palácio do Planalto.

Sem entrar em detalhes sobre a operação da Polícia Federal deflagrada nesta sexta-feira, Dilma manifestou, mais um vez, seu “mais absoluto inconformismo”. Dilma Rousseff lembrou que Lula “por várias vezes compareceu de forma voluntária para prestar esclarecimentos perante as autoridades competentes” e julgou “desnecessária” a condução coercitiva para que ele prestasse novo depoimento.

A presidente declarou ainda seu inconformismo sobre o vazamento de informações da delação premiada do senador Delcídio Amaral. “Manifesto minha indignação com as denúncias firmadas nessa delação”, disse.

Sobre as acusações feitas pelo senador sobre a refinaria de Pasadena, Dilma reiterou a decisão da Procuradoria da República de que o processo foi arquivado. “As informações foram exaustivas e embasadas em atas de reuniões do Conselho de Administração da Petrobras. Com base nesses documentos, Janot determinou o arquivamento da investigação”, destacou a presidente.

Delcídio acusou o Governo de ter influenciado nos rumos da Operação Lava Jato. Dilma Rousseff negou as acusações e explicou sobre a nomeação de ministros ao Superior Tribunal de Justiça. “O senador Delcídio Amaral teria afirmado que diretamente eu teria tentado negociar de forma imoral a nomeação de ministros do STJ para libertar aqueles que tinham sido presos de forma preventiva. Jamais falei com o senador a esse respeito. Do ponto de vista institucional não teria razão para pedir a um senador para conversar com um juiz”, disse.

Dilma ressaltou ainda que nomeou 16 ministros do STJ e mais cinco ao Supremo Tribunal Federal e que a turma que ela nomeou e que Delcídio alegou em delação votou contra (dois contra e um a favor). “É insidiosa a fala do senador, se ela foi feita”, argumentou. Segundo ela, os ministros citados por Delcídio negam peremptoriamente tratativas do Governo a respeito de nomeações com interesses escusos.

Condução coercitiva contra Lula

Deflagrada nesta sexta-feira (04), a Operação Aletheia, 24ª fase da Lava Jato, cumpriu mandados em endereços do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do seu filho, Fabio Luiz Lula da Silva, um dia após ter sido revelada a delação premiada de Delcídio Amaral.

Mais cedo, a presidente havia divulgado nota à imprensa em que afirmou que manifestou “integral inconformismo” com a ação feita contra o petista submetido à depor à Polícia Federal. Dilma afirmou ainda que “o cumprimento da Constituição é a única via segura para o bom exercício das funções públicas e o respeito aos direitos individuais. No meu governo, garanti a autonomia dos órgãos responsáveis por investigações de atos de improbidade e de corrupção, mas sempre exigi o respeito à lei e aos direitos de todos os investigados”.

A presidente declarou ainda que é necessário ter um “senso de responsabilidade” em relação ao cumprimento das competências constitucionais. Sobre o vazamento de informações da delação premiada do senador Delcídio Amaral, Dilma pontuou: “vazamentos ilegais, prejulgamentos antes do exercício do contraditório e da ampla defesa, não contribuem para a busca da verdade, mas apenas servem para animar a intolerância e retóricas antidemocráticas”.

“Por isso, manifesto meu integral inconformismo com o fato de um ex-presidente da República que, por várias vezes, compareceu voluntariamente para prestar esclarecimentos perante às autoridades competentes, seja agora submetido a uma desnecessária condução coercitiva para prestar um depoimento”, finalizou em nota divulgada à imprensa.