Durão Barroso diz que Mercosul e UE devem formalizar “namoro” de quinze anos
Brasília, 18 jul (EFE).- O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, afirmou nesta sexta-feira em Brasília que a a União Europeia (UE) e o Mercosul estão “namorando” há 15 anos e que “é momento” de formalizar a relação com um acordo comercial.
O político português analisou as árduas negociações entre a UE e o Mercosul em discurso feito na Universidade de Brasília (UnB), que concedeu a Durão Barrosso o título doutor honoris causa por seu “notável esforço” em prol das relações entre Brasil e o bloco comunitário.
Antes da cerimônia, o presidente da Comissão manteve uma reunião privada com a presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada. Segundo fontes oficiais, os dois analisaram as perspectivas para se alcançar o acordo, que vem sendo negociado sem sucesso desde 199.
“A União Europeia e o Mercosul estão namorando há quinze anos”, afirmou Durão Barroso na UnB: “Não será o momento de oficializar essa relação? Estou convencido que sim”.
Na sua opinião, “um acordo de associação constituiria um verdadeiro investimento para o futuro” tanto para o bloco comunitário como para o Mercosul.
Segundo o político luso, “estudos independentes demonstram que um acordo com a UE representaria para os países do Mercosul um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da ordem dE US$ 5 bilhões e um aumento de suas exportações para a Europa próximo a 40%”.
Durão Barroso exaltou o “papel de liderança” desempenhando pelo Brasil no bloco sul-americano, integrado também por Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela (país que não participa das discussões com a UE).
O presidente da Comissão afirmou que na UE se “sabe que o Brasil quer avançar rumo a um acordo comercial”, mas também que o país “não decide sozinho e que o ritmo dos outros membros do Mercosul é diferente”.
No entanto, advertiu que “não se pode perder tempo”, caso contrário “podemos chegar em último” na corrida para constituir novas associações que ajudarão a fortalecer o comércio.
A visita de Durão Barroso ao Brasil, onde ficará até segunda-feira, é considerada uma despedida antes do político deixar o cargo, que exerce desde novembro de 2004.
Durão Barroso entregará a presidência da Comissão Europeia ao luxemburguês Jean-Claude Juncker, que nesta semana foi eleito para presidir o órgão nos próximos cinco anos.
O político viajará hoje mesmo ao Rio de Janeiro, onde se reunirá com autoridades locais, empresários e personalidades do mundo da cultura. EFE
ed/dk
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