Governo estuda medidas para reaquecer setor imobiliário, que sofre pior momento desde 2003

  • Por Jovem Pan
  • 18/05/2015 12h01
Região Metropolitana Imóveis 280812

Governo federal estuda medidas para reaquecer a construção civil diante do pior cenário enfrentado pelo setor desde 2003. Entre as ações está a liberação de parte dos recursos da poupança, suspensa para os novos pedidos de financiamento imobiliário pela Caixa Econômica.

O presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo afirma que a liberação dos depósitos compulsórios é vista com bons olhos pelo setor. No entanto, Cláudio Bernardes lembra à repórter Helen Braun que a medida não é suficiente para tirar a construção civil da crise. “Infelizmente a gente está caminhando para uma inflação mais alta, o que inviabiliza a utilização de alguns mecanismos como as letras imobiliárias porque nesse momento acabam ficando incompatíveis com o financiamento do mercado imobiliário”, explica.

O gestor da Artesanal Investimentos, Alexandre Chaia, adverte que liberar os recursos da poupança não trará resultados efetivos em curto prazo. De acordo com professor do Insper, a medida é mais um tipo de ajuste para que o dinheiro retorne aos bancos. “O problema não é só a falta de recurso na poupança, existe uma falta de recurso, mas também falta de desejo dos compradores de assumir dívida de longo prazo”, afirma. Outra medida para tentar reaquecer o mercado será o lançamento, em julho, de mais uma etapa do Programa Minha Casa, Minha Vida.

O diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, Valter Caldana, aponta a necessidade de medidas para suprir o déficit habitacional. “Nós temos que mudar uma cultura no Brasil de que o poder público pode participar do mercado imobiliário com seu poder de compra real, ou seja, ele tem que poder participar do mercado usando a sua capacidade de compra para formular estoque, do mesmo jeito que faz historicamente com a produção agrícola, compara.

Nos primeiros três meses do ano, as construtoras cortaram 50 mil vagas formais de trabalho e  em 12 meses foram 250 mil postos fechados.

Os empréstimos com dinheiro da poupança tiveram, no primeiro trimestre deste ano, a primeira queda para o período desde 2002.