“O almoço de domingo talvez não esteja no supermercado”, diz senador sobre greve dos caminhoneiros

  • Por Jovem Pan
  • 26/02/2015 09h18
Blairo Maggi 260508

Mesmo após acordo com o governo, caminhoneiros não abandonaram a greve e quando o sol nasceu 57 bloqueios ainda se distribuíam em 27 rodovias federais. Os grevistas que se mantiveram nas estradas são os motoristas de transportadoras, que não foram contemplados com a decisão de quarta-feira (25), segundo a qual o governo ofereceu, entre as medidas, seis meses sem reajuste do óleo diesel e a discussão de um preço mínimo para o frete aos autônomos.

O Senador Blairo Maggi (PR-MT), considerado o rei da soja, disse em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã da Jovem Pan que não espera que a paralisação chegue ao fim nesta quinta-feira (26). “Os autônomos que ganharam o benefício ontem devem voltar à atividade, mas, se os demais não liberarem a pista, não vai adiantar”, avaliou ao lembrar que o movimento não é centralizado, o que dificulta a negociação.

A greve já afeta o agronegócio e a indústria. Empresas não conseguem entregar produtos, que, consequentemente, não chegam ao consumidor. “Nosso almoço de domingo está em cima da carroceria de um caminhão, se ele não chegar ao supermercado, não tem almoço no domingo”, ilustrou o senador.

Maggi também enfatizou as consequências que a situação pode ter no âmbito econômico. “Para o caixa do governo é uma coisa incalculável: o prejuízo, a inflação, a falta de arrecadação dos impostos que geram toda a economia”, e falou sobre um relato que ouviu de representantes do segmento da avicultura, “já estão matando 3 mil pintinhos que nascem todos os dias porque não tem onde alojar. Se estão matando esses pintinhos hoje, daqui a 45 dias eles não vão estar no supermercado. Então é de se esperar aumento nos preços”.

Blairo Maggi ressaltou que o problema inicialmente não cabia ao governo, já que as maiores reivindicações são a baixa no preço do diesel e a renegociação do preço do frete, mas a situação foi agravada e se tornou prioridade. “Esse é um assunto que derruba governo. No Chile, o movimento que tirou [o presidente] Salvador Allende começou em uma greve de caminhoneiros”, disse ao lembrar dos bloqueios que aconteceram nas estradas chilenas no início da década de 1970.