Jovem japonês denuncia universidade para mulheres por discriminação

  • Por Agencia EFE
  • 26/11/2014 10h13

Tóquio, 26 nov (EFE).- Um jovem japonês denunciou por discriminação de gênero uma universidade pública feminina do país que rejeitou sua solicitação de admissão por ser homem, a primeira reivindicação deste tipo no Japão, segundo informou nesta quarta-feira a imprensa local.

O jovem, que pretendia se matricular em nutrição na Universidade Feminina de Fukuoka, no sudoeste do país, levou o caso aos tribunais com o argumento de que o monopólio de gênero em uma instituição pública de ensino superior é contrário à Constituição japonesa.

“Não permitir que homens passem no exame de admissão viola o artigo 14, que proclama a igualdade de sexos perante a lei”, afirmou o jovem, que não quis ser identificado, em declarações ao jornal japonês “Asahi”.

As universidades femininas são frequentes no Japão, tanto públicas como privadas.

Em sua denúncia, ele alega que a Universidade Feminina de Fukuoka é a única unidade pública que oferece cursos de nutrição em sua região, e acrescenta que não pode pagar a matrícula de outras instituições privadas onde também é possível fazer a carreira, de acordo com o jornal.

O estudante também reivindica uma indenização de 500 mil ienes, aproximadamente US$ 11 mil, por não ter conseguido se matricular.

Seu advogado afirmou em entrevista à agência “Kyodo” que as universidades femininas “surgiram com o papel de favorecer os estudos das mulheres em uma época em que as mesmas tinham menos oportunidades”, o que segundo sua opinião “já não é necessário” na sociedade atual.

A luta contra a discriminação de gênero é uma das prioridades políticas do Executivo do primeiro-ministro Shinzo Abe, que iniciou inúmeras ações para promover uma maior integração trabalhista da mulher.

No Japão, a porcentagem de mulheres entre o total de formados universitários chega a 40% -contra a média de 60% dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento ou Econômico (OCDE), de acordo com dados da entidade.

Além disso, a participação feminina no mercado de trabalho japonês foi de 62,5% em 2013, enquanto a masculina foi de 80,6%. A proporção de mulheres em cargos de chefia não chega a 12%, enquanto que em outros países ocidentais este porcentagem é de aproximadamente 30% ou 40%. EFE