Em missa no Vaticano, Papa Francisco pede por migrantes: ‘Para Deus ninguém é estrangeiro ou excluído’

  • Por Jovem Pan
  • 08/07/2019 11h12
EFEA missa relembrou a visita que Francisco fez em 2013 a Lampedusa, o primeiro lugar que o pontífice visitou no início de seu pontificado

O papa Francisco lembrou nesta segunda-feira (8) que “os migrantes, antes de mais nada, são seres humanos” durante a homilia da missa que celebrou no Vaticano por ocasião do sexto aniversário de sua viagem à ilha de Lampedusa, no extremo sul da Itália.

A missa que coincide com o momento no qual as ONGs que se dedicam a resgatar migrantes no Mediterrâneo, e que o papa sempre apoiou, travam duras quedas de braço com as autoridades italianas e, especialmente, com o ministro do Interior, Matteo Salvini, que impede o desembarque das pessoas resgatadas.

Diante das cerca 250 pessoas que se sentaram nos bancos da basílica de São Pedro, entre imigrantes, socorristas e pessoal envolvido no acolhimento dos migrantes, o papa disse que pensa, neste sexto aniversário, “nos últimos que todos os dias clamam ao Senhor para serem libertados dos males que os afligem”.

Francisco lembrou que entre esses últimos estão “os enganados e abandonados para morrer no deserto”, “os torturados, maltratados e violentados nos campos de detenção”, os que “desafiam as ondas de um mar impiedoso” e também os que “são deixados em acampamentos por tempo demais para uma situação que deveria ser temporária.”

Ontem, durante a oração do Angelus, Francisco recordou o bombardeio contra um centro de migrantes em Trípoli, na Líbia, e pediu que esses ataques não sejam tolerados e que sejam estabelecidos corredores humanitários para os mais vulneráveis.

Na homilia desta segunda-feira (8), Francisco exclamou: “São pessoas, não se trata só de questões sociais ou migratórias. Não se trata só de migrantes, no sentido de que os migrantes, antes de mais nada, são seres humanos, e que hoje são o símbolo de todos os descartados da sociedade globalizada”.

Durante os pedidos da missa, o pontífice também fez questão de lembrar o papel dos socorristas que salvam vidas no Mediterrâneo: “Abençoai os socorristas no Mar Mediterrâneo e faça com que a coragem da verdade e o respeito por cada vida humana cresça em cada um de nós”.

“Para Deus ninguém é estrangeiro ou excluído”, destacou o papa em uma das orações com as quais iniciou a missa e na qual rogou para que “os deslocados, os exilados, as vítimas da segregação, as crianças abandonadas e indefesas tenham o calor de uma casa e de uma pátria”, e para que “tenhamos um coração sensível e generoso com os pobres e os oprimidos”.

A missa relembrou a visita que Francisco fez em 8 de julho de 2013 a Lampedusa, o primeiro lugar que o papa decidiu visitar no início de seu pontificado, após os dramáticos naufrágios em que centenas de migrantes morreram em sua travessia da África para a Europa.

*Com informações da Agência EFE