EUA tentaram assassinar outro militar do Irã no dia da morte de Soleimani

  • Por Jovem Pan
  • 10/01/2020 18h56
EFEA missão frustrada levanta dúvidas se a operação contra Soleimani foi realmente uma tentativa de impedir ataques iminentes a objetivos americanos ou se fazia parte de um plano mais amplo para fragilizar a Guarda Revolucionária do Irã

O jornal “The Washington Post” e a emissora “CNN” divulgaram detalhes de uma operação norte-americana — não confirmada oficialmente pela Casa Branca — que tinha como objetivo eliminar outro comandante da Força Quds iraniana, Abdul Reza Shahlai. No entanto, o ataque aéreo, feito no Iêmen, não conseguiu matá-lo.

A ação teria ocorrido no dia 2 de janeiro, no mesmo dia em que um drone americano assassinou o general Qassem Soleimani, o que desencadeou um conflito entre os Estados Unidos e o Irã.

A missão frustrada levanta dúvidas se a operação contra Soleimani foi realmente uma tentativa de impedir ataques iminentes a objetivos americanos, como a Casa Branca defende desde então, ou se fazia parte de um plano mais amplo para fragilizar a Guarda Revolucionária do Irã.

Questionado pela Agência Efe sobre as revelações, a porta-voz do Pentágono, comandante Rebecca Rebarich, respondeu que “não faz comentários sobre supostas operações no Iêmen”. Os EUA mantêm em segredo as ações que realiza no país, em conflito desde 2014.

“Há tempos se entende que o Iêmen é um lugar seguro para terroristas e outros adversários dos Estados Unidos”, completou.

O suposto alvo da operação no Iêmen foi sancionado pelo Departamento do Tesouro dos EUA há quase uma década pelo papel em um complô frustrado para atacar as embaixadas da Arábia Saudita e Israel em Washington.

Assim como Soleimani, Shahlai faz parte da liderança da Força Quds, responsável pelas operações da Guarda Revolucionária do Irã no exterior. Os EUA acusam os iranianos de fornecerem armas sofisticadas aos rebeldes houthis do Iêmen, que lutam pelo controle do país contra a coalizão liderada pela Arábia Saudita.

Fontes ouvidas pelo “Post” não descartaram a hipótese de os EUA voltarem a atacar Shahlai, apesar de o presidente do país, Donald Trump, ter sinalizado que pretende acalmar a situação.

“A operação é um indício de que há uma missão com um horizonte de planejamento mais amplo, e realmente levanta dúvidas por que houve uma tentativa de explicar (o ataque de Soleimani) vinculando-o a uma ameaça iminente”, disse ao “Post” a pesquisadora Suzanne Maloney, especialista em Irã no Brookings Institution.

* Com EFE