ONU afirma que dois lados em conflito participam de negociações de paz

  • Por Agencia EFE
  • 14/01/2015 15h30

Genebra, 14 jan (EFE).- O enviado especial do secretário- geral da ONU para a Líbia, Bernardino León, afirmou que na nova rodada de negociações para devolver a estabilidade ao país, que começa nesta quarta-feira em Genebra participam representantes das duas facções que disputam o poder.

“Quero que fique claro que não há um campo que se recuse a falar e o outro que está aqui. Temos (em Genebra) representantes dos dois lados”, assinalou.

León, que é também chefe da Missão de Apoio das Nações Unidas para a Líbia (++UNSMIL++), reconheceu que espera que o grupo do governo de Trípoli – paralelo ao instalado em ++Tobruk++ e que tinha surgido de eleições em junho – decida comparecer a estas conversas.

No próximo domingo, seu parlamento terá uma sessão para discutir e votar sobre essa participação.

“Espero que quando o grupo de Trípoli deliberar, sua decisão seja vir e falar porque esta é uma discussão transparente e aberta,”, disse, para em seguida advertir que “a alternativa a não falar é a guerra e isso não é o que os líbios querem”.

O responsável por este processo antecipou que as negociações serão “longas e difíceis”, mas o plano é que se mantenham a um ritmo acelerado porque a situação de caos que a Líbia vive não pode aguardar mais.

“Ainda estamos longe de um acordo final. Viemos aqui para falar e a questão é decidir se falamos ou não”, disse León em entrevista coletiva antes do início das reuniões.

É a segunda rodada de negociações e a primeira realizada fora do país norte-africano.

O plano é que representantes de diferentes municípios da Líbia e de milícias que apoiam os dois lados políticos rivais se incorporem ao processo negociador semana que vem.

“Na próxima semana gostaríamos de começar a falar com os atores militares de forma oficial, em um formato de conferência”, explicou León, que esteve em constante contato com os comandantes dos grupos armados.

Ele pediu um cessar-fogo temporário para a criação de condições propicias para que as negociações políticas progridam.

“Não estamos dizendo que foi acordado um cessar-fogo prolongado e em todos seus detalhes”, esclareceu.

“Os últimos dois ou três dias foram muito calmos, pela primeira vez após semanas de combates intensos. Eu gostaria de crer que é porque tivemos essas discussões e as partes estão tentando mostrar boa vontade”, acrescentou o representante da ONU. EFE