Papa pede perdão pela omissão da Igreja em casos de abusos sexuais

  • Por Agencia EFE
  • 07/07/2014 09h56

Cidade do Vaticano, 7 jul (EFE).- O papa Francisco pediu nesta segunda-feira “perdão pelos pecados de omissão” cometidos por líderes da Igreja em relação aos abusos sexuais, que chamou de “crimes graves”, durante a homilia que presidiu em sua residência no Vaticano, assistida por seis vítimas desses abusos, com quem depois de reuniu privadamente.

“Humildemente peço perdão”, disse o papa argentino, ao reconhecer que os líderes da Igreja “não responderam adequadamente às denúncias de abuso apresentadas por familiares e por aqueles que foram vítimas do abuso”.

“Isto leva ainda a um sofrimento adicional aos que tinham sido abusados, e pôs em perigo outros menores que estavam em situação de risco”, declarou o pontífice, que admitiu que “os pecados de abuso sexual contra menores pelo clero têm um efeito virulento na fé e na esperança em Deus”.

“Alguns se aferraram à fé, enquanto em outros a traição e o abandono erodiram sua fé em Deus”, acrescentou o papa.

“Muitos dos que sofreram esta experiência buscaram paliativos pelo caminho da dependência. Outros experimentaram transtornos nas relações com pais, cônjuges e filhos”, disse Francisco na homilia.

Em outro momento, o papa expressou “angústia e dor pelo fato de alguns sacerdotes e bispos terem violado a inocência de menores e de sua própria vocação sacerdotal ao abusar sexualmente deles. São mais do que atos reprováveis”.

“É como um culto sacrílego porque esses meninos e essas meninas confiaram no carisma sacerdotal para levá-los a Deus e eles os sacrificaram por causa de sua concupiscência”, acrescentou o pontífice, que também disse que os abusos são “atos que deixam cicatrizes para toda a vida”.

O porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, avaliou posteriormente com a imprensa que a mensagem do papa “é uma mensagem de esperança e de coragem, dirigida a todas essas pessoas que sofreram abusos no mundo todo porque, infelizmente, é um problema que aconteceu em muitos lugares”.

E em relação às seis vítimas presentes na homilia, três homens e três mulheres, vindos de Alemanha, Inglaterra e Irlanda, Lombardi explicou que o Vaticano optou por um número reduzido para que Francisco pudesse conversar pessoalmente com cada um deles.

O porta-voz não excluiu que no futuro possam acontecer outros encontros deste tipo entre o papa e vítimas de abusos sexuais por parte de membros do clero. EFE