A revolta das praias: povo brasileiro lota balneários e declara independência

Movimento da alegria libertária brasileira das praias é resposta ao erro isolado e coletivizado das medidas de isolamento social sem método

  • Por Adrilles Jorge
  • 12/09/2020 07h00 - Atualizado em 12/09/2020 07h11
PEDRO DE PAULA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDOO feriadão de 7 de setembro registrou praias lotadas em várias cidades do Brasil

As praias lotadas no feriado de Independência, no dia 7 de setembro, tiveram um significado epifânico: são a declaração de independência popular de uma certa mídia isolacionista e desesperada que condenou um país à prisão, baseada em pseudociência. Prisão do pensamento, prisão do trabalho, prisão da verdadeira ciência, prisão da felicidade. A dita mídia isolacionista foi justamente desesperada pelo medo da morte e certa responsabilidade social em valorizar a vida, sim. Boas intenções que calçaram o inferno. Menos empregos, mais fome, mais miséria, menos saúde mental. Mas esta mesma mídia foi injustamente irresponsável ao abraçar um método não-científico: o isolacionismo sem método e teste que fez das pessoas, no mundo, de cobaias.

Ciência se faz de uma série de hipóteses testadas ao longo do tempo. Não houve tempo. Houve açodamento de decisões temerárias que o povo foi obrigado a obedecer e que agora são contestadas por sua pouca efetividade. Ou efetividade negativa. O povo brasileiro declarou independência pela alegria contra a canastrice do especialista chato e pretensioso. E monstruosamente equivocado. Sim, a revolta praieira tupiniquim exagerou na falta de cuidado com o distanciamento social. Grandes aglomerações ainda não são aconselháveis. Mas um grito de libertação e alforria sempre tem um quê de exagero.

Não há nenhum indício de segunda onda da Covid-19 na maioria dos países após a abertura, a despeito de aglomerações, multidões, pessoas se reunindo em ruas, bares, trens, trabalho etc. A maior testagem indica infectados mais visíveis. Outros países, em tese, achataram a curva pelo isolamento. Mas não se livraram do vírus. Ao que tudo indica, a epidemia segue um fluxo de começo, meio e fim. A Suécia assim o provou. Tudo indica imunidade de rebanho em vários cantos do Brasil e do mundo, independente de isolacionismos. Outra vez: a Suécia assim o provou. Quase nada fez. Não há mais mortes por lá. Preservaram empregos, dignidade, saúde mental e boa parte da economia. É o 8º país em número proporcional de mortos. Os outros, que se fecharam completamente, distribuíram e estão distribuindo seus mortos ao longo do tempo. Países que se isolaram açodadamente arruinaram boa parte da população com pobreza, desemprego, depressão e óbitos por outras doenças não tratadas. A Argentina se fechou por quatro meses. Só agora o vírus chegou por lá. Em Nova York, 85% dos infectados estavam em casa. Nenhuma pesquisa semelhante foi feita novamente. Estranhamente. Ou pelo medo de perceber o óbvio: o isolacionismo sem método e feito ao mesmo tempo em diferentes lugares, sem considerar a chegada do vírus em lugares onde havia enorme fluxo de turismo em contraste com outros, foi um erro. Fatal. Um erro que, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura e o Banco Mundial, irá condenar centenas de milhões à pobreza, fome, miséria e morte.

Isolar os mais frágeis era a solução. Isolaram o mundo. Erraram grotescamente. Ferraram o mundo. Fizeram as pessoas de cobaias vivas. Ninguém jamais assumirá o erro. A revolta da alegria libertária brasileira das praias é a resposta ao erro isolado e coletivizado de pseudoespecialistas tragicamente equivocados. A revolta da alegria libertária popular nas praias contra o repórter chato que faz cara de especialista moralmente superior é a imagem do povo que declara independência contra a cultura do medo e da morte imposta pela mídia que se perdeu em pseudociência. Independência ou morte. O povo fez sua opção: deu praia.