‘Adultos de chupeta’ são a tradução máxima da esquerda identitária contemporânea

Política identitária progressista é composta por crianças que tomaram o poder com sua sede de desejos a serem saciados e impostos imediatamente

  • Por Adrilles Jorge
  • 03/07/2021 10h00
congerdesign/PixabayCasos de age regression - regressão de idade - viralizaram na internet recentemente

A mais recente moda dos identitários millennials é a age regression, uma volta à infância e ao paraíso da irresponsabilidade de uma criança. Paraíso só pra quem tem déficit cognitivo, claro. A infância é um inferno. Não há autonomia sobre suas ações, você é um desejo egocêntrico vivo que crê que o mundo gira ao seu redor, tem desejos primários, fisiológicos, não sabe direito o que quer, imita o desejo alheio e chora e esperneia por tudo o que não consegue obter, mesmo que nem saiba direito o que quer obter. A modinha parece ser uma coisa ridícula – e é – mas é sintoma de algo ridículo e perverso bem maior. Estes adultos de chupeta que admitem rejeitar a liberdade e a construção madura do desejo humano que implicam em maiores responsabilidades e sobretudo na realização pela construção de uma vida boa – para si e para os outros – são a tradução viva de uma geração que se perdeu em um movimento político identitário infantil. Uma criança é, na voz de Freud, um ‘pequeno perverso polimorfo’, alguém que tudo quer mas não sabe exatamente o que deseja e usa de todos os meios para se obter o que não sabe querer. Uma geração mimada por anos de avanços sociais conquistados a duras penas por seus antepassados ficou enjoadinha e criou problemas estéreis para se preocuparem. Se ofendem por tudo, querem todos os seus gostos satisfeitos, se colocam como vítimas o tempo todo, se ofendem por tudo e não admitem sofrer o menor tipo de contrariedade. Para tal, criam lições de como identificar preconceitos onde não existem, em linguagem, expressões, palavras, piadas, ações. Como uma criança, fazem birra por qualquer contrariedade e perversamente massacram, como adultos (a brincadeira para aí) aqueles que os contrariam. O age regression é, pois, uma tradução máxima da esquerda identitária contemporânea.

Um adulto normal tenta resolver seus problemas com alguma falha de comunicação que há com seu interlocutor. Uma palavra enviesada, mal colocada, sempre pode ser passível de desculpa ou perdão por uma conversa, ou um exame minucioso da intenção de uma pessoa. Não há agressão ou ofensa sem intencionalidade. Mas a esquerda identitária traduz tudo como possibilidade inconsciente – histórica ou individual- de ofensa. E por ofensa leia-se também a frustração pessoal de não atingir seus objetivos de ascensão social por causa de uma sociedade opressora. A sociedade opressora aqui toma a voz de um adulto opressor que não deixa a criança brincar com seus desejos ainda sequer concebidos de poder e autossatisfação. A civilização nasce da renúncia de um desejo primitivo. Crescendo, você percebe que não vai ter tudo o que quer e que precisa restringir suas vontades – sexuais, econômicas, simbólicas, financeiras etc. Este é o contrato que permite o fundamento da civilização moderna e um contrato – entre seu ego e sua ética – que permite a formação de um adulto. Um esquerdista identitário não quer assumir a responsabilidade por seus desejos insatisfeitos ou por qualquer ausência de diálogo dele com quem ele acha ser seu opressor. Por isso ele oprime os outros, a saber, o macho adulto, branco, heterossexual, o capitalismo, a sociedade, a desigualdade social, como sendo os pais repressores que o impedem de brincar eternamente com suas possibilidades.

O esquerdista identitário, como uma criança, quer ser o que ele bem entende. Mulher, homem, atleta, negro, criança, alterando quando bem entende sua natureza, como uma criança que brinca com suas potencialidades. Ora, sabemos que as possibilidades humanas são limitadas. Sexualmente, socialmente, culturalmente, anatomicamente etc. mas um esquerdista identitário se sente na liberdade de colocar uma peruca de mulher e, se vendo como uma mulher, poder surrar uma mulher biológica em um ringue de MMA sem que ninguém possa atentar para o fato de um homem biológico estar surrando uma mulher à vista de todos. Ou pode um adulto se ver na idade de uma criança para poder flertar com uma criança real sem ser acusado de pedofilia. Por outro lado, o esquerdista identitário, sem dentes, com banha sobrando, meio vesgo, pode se considerar um belo espécime de ser humano e impor sua beleza alternativa – ou feiúra absoluta – como novo paradigma estético a ser seguido e desejado por todos, sem fazer um mínimo de dieta ou exercício físico para melhorar sua aparente feiúra absoluta aos olhos da sociedade que ele vê como preconceituosa. O não desejo alheio é uma forma de opressão para a criança identitária, claro.

Percebam: o bebê esquerdista identitário tem todas as artimanhas do adulto e todas as manhas da criança somados. É a perversão absoluta: ele quer gozar da irresponsabilidade de uma criança, ser cuidado, paparicado pela sociedade, não ser contrariado, mas quer se vingar de quem não o vê como uma pobre criança indefesa. E esta vingança é extremamente adulta: o bebê esquerdista identitário massacra, oprime, persegue o outro até acabar com sua reputação. E depois volta a chupar chupeta inocentemente. O esquerdista progressista identitário vive num mundo de utopia infantil em que as paixões são frugais e imediatas como um gosto de bife. Recentemente, a atriz Bruna Marquezine terminou com o ator Enzo Celulari, após lhe fazer uma imensa declaração de amor, porque ele foi insensível ao relativizar o consumo de carne num tweet. O amor profundo, para os bebês identitários que se amam, é uma prática em que a pessoa se alimenta do desejo belo de amar alguém. A outra pessoa é mera caixa de ressonância para seus modelos sócio-simbólicos de ver a vida. Se este modo não se adapta em nada à sua percepção da realidade, tchau para ela. E claro, como a de uma criança, a percepção da realidade do bebê identitário é precária – mas ele a considera madura e profunda, como a poça de um amor que se despedaça por um tweet.

Os desejos do bebê identitário são todos de um mundo ideal, de conto de fadas de carochinha. Bichinhos não podem ser mortos para alimentar pessoas, pessoas se alimentam de luz, o amor é uma utopia em que qualquer opinião contrária é pecado, aumentar voz ou olhar com desejo pra mulher é crime grave, fazer piada com o que ou quem quer que seja é condimento para crimes gravíssimos – quando não são crimes gravíssimos em si mesmos. E por aí vai. O bebê identitário não sai na rua sem o papai mandar, por medo do vírus que o faz ficar doente. Claro: o bebê identitário tem sempre um papai burguês que paga suas contas. Um segredo: para participar da geração de millennials identitários você precisa de um papai burguês. Pobres para eles são uma abstração de injustiça social. Mas tem que ficar em casa, longe do bercinho do bebê identitário. Os tempos políticos determinam comportamentos individuais, locais, universais. Tudo virou política hoje em dia. Política de controle. E a política identitária progressista é a tradução exata de crianças que tomaram o poder com sua sede de desejos a serem saciados e impostos imediatamente. O progressismo identitário de hoje é uma regressão de idade – age regression – na civilização e na humanidade. Vivemos o tempo do bebê identitário progressista, que dirige nações, comanda redações de jornal, atuam em filmes e órgãos internacionais de controle humano, como a ONU, UNICEF, OMS, etc.

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