Enquanto Flordelis andava livremente pela Câmara, Daniel Silveira foi preso pelo ‘crime’ de opinião

Sistema político e judiciário brasileiro condena sem julgamento os críticos do sistema, deixa esquecida e solta uma provável assassina e subverte a Justiça por vaidades íntimas

  • Por Adrilles Jorge
  • 14/08/2021 10h00
Fernando Frazão/Agência BrasilNa última quarta-feira, Flordelis teve seu mandato cassado na Câmara dos Deputados por 437 votos a sete

Após um ano, Flordelis foi cassada na Câmara dos Deputados por fortes indícios de ter matado o marido. Em poucas horas, o deputado Daniel Silveira foi preso por um vídeo em que fazia críticas ao STF. A Câmara, dias depois, tratou de cassá-lo imediatamente. Daniel segue preso até hoje. Sem direito a julgamento ou processo. Os juízes o condenaram por crime de opinião. Seus colegas deputados o viam como um outsider, um sujeito truculento que não fazia o espírito de corpo dos deputados. Por falta de espírito de corpo, o corpo de Daniel foi entregue aos juízes que o deixam até hoje na masmorra. Por espírito de corpo em dúvida, demoraram um ano pra cassar o mandato de Flordelis, a suposta assassina do marido que até hoje desfilava livremente pelo plenário. Numa história dantesca, que mistura incesto, envenenamento, traição, Flordelis teria induzido os próprios filhos a matarem o marido. Flordelis era referência de trabalhos sociais. Seguida, louvada e glorificada por artistas e influenciadores como exemplo. Pastora, adotou 55 crianças. Uma delas era o próprio homem com quem se casou, que também namorou uma de suas filhas e que depois, ao que tudo indica, teria mandado os outros filhos matarem. Flor de pessoa.

Flordelis era amada por sua suposta misericórdia e compaixão social. Negra, mulher, favelada, Flordelis era o estereótipo da boa pessoa que ultrapassa as chagas da pobreza, do preconceito para ascender socialmente fazendo o bem. Se ergueu ao Olimpo do inferno fazendo o mal travestido de bem. O mal sempre se traveste do bem. Lúcifer era o mais belo anjo de Deus. A beleza de Flordelis era suas chagas de clássica vítima social. Seu próprio advogado, em sua defesa na Câmara, falava do preconceito do heterossexual branco contra a mulher negra que é Flordelis. Mais: falava do ódio gratuito contra criminosos. Criminosos estes que, pelos princípios progressistas, são sempre vítimas da injustiça social. O próprio advogado, sem querer querendo, absolve a monstruosidade do crime de Flordelis inculcando sua culpa na sociedade.

O progressismo identitário é isto: separa-se a humanidade por etnia, escolhas sexuais, classe social. Até mesmo o criminoso é visto como uma vítima da pobreza, do racismo, do sexismo, da misoginia. Não há índole para o identitarismo. Há marcas sociais, sexuais e étnicas que representam um caráter. Não colou para os pares de Flordelis que após um ano a condenaram por pressão da mídia. A mídia, que sempre privilegia os méritos identitários sobre a realidade dos fatos, após os indícios quase cabais do assassinato perverso, teve que se curvar aos fatos. Daniel Silveira, cassado e preso, não teve a sorte de estar no estereótipo identitário correto. É um brucutu branco, heterossexual. Caiu na desgraça de tentar assassinar a reputação já morta de ministros do STF, que hoje presidem a nação.

Ao que tudo indica, Flordelis é uma psicopata. Psicopatas perversos entram em ambientes blindados, calculadamente. Tornam-se pastores, médicos, professores, enfermeiros, adotam filhos, viram políticos. Flordelis vestiu o combo completo. Era também negra e mulher, o que fortalecia ainda mais o seu escudo. Sua psicopatia espelhava uma psicopatia identitária, a que crê que cor de pele e sexo definem caráter. Somada a esta psicopatia coletiva, há o oportunismo também psicopata de um tipo de político que privilegia os interesses narcísicos de sua classe em detrimento da Justiça. Para o político psicopata, condenar alguém por opiniões vulgares pode ser mais proveitoso – quando se tem rabo preso com o Judiciário – que condenar uma psicopata e ré por assassinato.

O sistema político e judiciário brasileiro permite esta psicopatia: premia legisladores chantageados e acovardados por denúncias silenciadas de corrupção; condena sem julgamento os críticos do sistema; deixa esquecida e solta uma provável assassina; subverte a justiça por vaidades íntimas e espírito de corpo. O sistema político brasileiro dá as mãos a um sistema cultural também psicopata que enxerga na cor da pele e no sexo ou condição social de alguém sua condenação ou absolvição. Flordelis segue o rumo da condenação. Lentamente. Porque é uma psicopata incompetente. O psicopata competente engana pessoas por anos a fio. Tanto mais com apoio de um sistema sócio-político-cultural também psicopata. Ela se deixou levar pelas facilidades de uma estrutura que favorece sua psicopatia. Relaxou. Mas há outras Flordelis por aí. Mais ardilosas. Não necessariamente assassinas, mas cujos crimes mais sutis não só são ocultados como premiados. Enquanto inocentes são condenados por juízes psicopatas alienados da moral e da justiça que deveriam exercer.

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