Tiranos castradores apavoram a nova geração de pandeminions, que volta a ser criança e teme assombração

Pavor da população é tão cego que não vê que ela mesma já se aglomera em bares, shows, estádios, periferias e shoppings

  • Por Adrilles Jorge
  • 04/12/2021 10h00 - Atualizado em 04/12/2021 10h28
Idrees Mohammed/EPA/EFE - 03/12/2021Surgimento da variante Ômicron gerou alerta em todo o mundo e pode trazer de volta lockdown e adiamento de festas como o Carnaval

Não há nada que tenha impacto maior sobre a ação humana do que o medo. Um bebê não tem medo de quase nada porque tudo é novidade. Um bebê é egocêntrico — acha que é o centro do mundo. Cresce um pouquinho e tem medo de quase tudo porque o processo de educação é sempre castrador no sentido de fazer a criança perceber que ela é parte do mundo, não o mundo inteiro. E o mundo assusta. Os desejos autoritários da criança lhes são constantemente negados. Ela cria medos bobos, como de assombrações que não existem, porque não compreende direito os perigos reais da realidade. Os símbolos de castração sempre vêm acompanhados de castigos e de um mundo que a criança não consegue entender. Quando amadurece, de adolescente até adulto, a pessoa equilibra um medo previdente entre o bom senso de não se arriscar a perigos desnecessários e a coragem de se arriscar por aquilo que vale a pena: uma carreira, um amigo, um filho, um ideal etc.

A nova geração, de jovens e velhos, foi transformada, com a pandemia e o isolamento social construído como engenharia social de tiranetes, em crianças com medo de tudo. Apavoradas com tiranos castradores que creem ser seus pais. A tal nova cepa do Covid-19, a dita Ômicron, até agora não matou ninguém, não piorou sintomas, não aumentou internações, não colapsou sistema de saúde em lugar algum. Apenas, pelo consenso de cientistas, se dissemina mais rápido (como uma gripe comum, até o momento). Até agora, a Ômicron provoca o medo, como uma assombração que não existe. Até o momento, os números de internação e mortes no Brasil caem vertiginosamente. Assim como na maioria dos lugares do mundo. No Brasil, sem números alarmantes da doença, sem tragédias consumadas atuais, o medo faz com que tiranos castradores novamente queiram que todos parem de sair, se divertir. Que se cancele o Réveillon e o Carnaval pelo medo. A população cai nesta. O pavor da população é tão cego que não vê que ela mesma já se aglomera em bares, shows, estádios, periferias, shoppings e o diabo a quatro. O medo autoenganoso de uns calcula duas festas que podem piorar a situação que só tem melhorado — e não tem previsão de piora.

A vida é cálculo de risco. Uma criança aprende isso para se tornar adulta. Toda vida está em risco. Você tem 0,01% de chance de tropeçar, cair com a testa no chão e morrer. Vai se trancar eternamente em casa? Tem menos que 0,01% de chance de morrer desta Ômicron estando vacinado — como está a imensa maioria da população. Esta geração criada pelo medo é mais infantil que uma criança imatura, pois se deixa enganar pela própria hipocrisia calculada em não perceber a realidade de aglomerações em seu redor e a sinalização de virtude hipócrita de tiranetes que querem lucrar votos com o temor de uns e lhes tirar (por agora) o direito de se divertir, de gente poder trabalhar e lucrar com a diversão alheia e de liberar sua saúde mental trancada por disseminadores de medo que se travestem de pais da população. Pais horrendos, que ensinam o medo, mas não o valor da coragem. Sobretudo a coragem de enfrentar a tirania estupida de governantes populistas que lhes oferecem falsa segurança, arruínam suas vidas e lhes tolhem a liberdade. Medo, hipocondria, covardia e preguiça levam à depressão, levam ao niilismo, à descrença em qualquer ato de vida que ultrapasse a paralisia. Um bebê supera o temor ao aprender a andar. Esta geração de pandeminions, que têm medo de uma cepa de gripe quase comum, sente pavor de falsos pais e verdadeiros tiranos que os impedem de aprenderem a andar com as próprias pernas. Viver é amadurecer e aprender a andar por cima do medo da morte.

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*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.