A saída de Fabrício Queiroz do Rio de Janeiro

Ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro afirma que deixou o RJ por ter certeza de que será morto como ‘queima de arquivo’

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 25/11/2021 10h35
Reprodução/twitter/guilhermeboulosFabrício Queiroz participou das manifestações de 7 de setembro

Fabrício Queiroz diz que sumiu do Rio de Janeiro porque sabe que será morto como queima de arquivo. Investigado no esquema das “rachadinhas”, no antigo gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro (Patriotas), Queiroz resolveu ir embora do Rio de Janeiro para continuar vivo. De qualquer maneira, Queiroz diz que ainda tem um sonho: voltar a ter amizade com o presidente Bolsonaro. Falando ao SBT na terça-feira, 23, Queiroz foi categórico: vai mesmo desaparecer. Após três anos de silêncio, o ex-assessor parlamentar que cuidava das “rachadinhas” do então deputado Flávio Bolsonaro afirma que ainda vai provar sua inocência, “se Deus quiser”. E garante que nunca existiram “rachadinhas”. Isso é invenção. A vida de Queiroz se tornou num inferno. Não dá mais para viver assim. Ninguém aguenta.

Queiroz está triste com a vida. Com o rumo que a vida tomou. E tudo ficou pior quando ele decidiu utilizar as redes sociais para dar um toque de leve no presidente de que se sentia abandonado por todos. Mesmo assim, Queiroz decidiu participar das manifestações do Sete de Setembro, consideradas antidemocráticas, tentando uma reaproximação com Bolsonaro. Mas tudo ficou igual. Queiroz diz que vai ser morto e a culpa recairá sobre o presidente Bolsonaro. Afirma que sua morte será uma queima de arquivo para cair na conta do presidente, como aconteceu com o capitão Adriano da Nóbrega, metralhado pela polícia na Bahia no ano passado. O miliciano Adriano da Nóbrega era apontado como o chefe do chamado Escritório do Crime, uma das mais poderosas milícias do Rio de Janeiro. De acordo com o Ministério Público, ele também estaria implicado no caso das “rachadinhas” de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio.

Queiroz está com medo. Ele nega que tenha contato com o advogado Frederick Wassef. Só o conhece pela televisão. Nega que tenha ficado escondido na casa do advogado em Atibaia, interior de São Paulo. É verdade que ficou na casa por um longo tempo, mas não escondido e sim por motivos de saúde. Os promotores asseguram que Queiroz era o operador das “rachadinhas” de Flávio Bolsonaro. O hoje senador Flávio Bolsonaro usava uma loja de chocolates para receber os recursos, como se fossem lucros comerciais. Queiroz tem consciência de que sabe demais. Por isso acha que está na lista dos que precisam ser mortos. Assim, tomou a providência de desaparecer do Rio de Janeiro. Lá seria fácil encontrá-lo. Queiroz fugiu para não ter o mesmo destino do capitão miliciano Adriano Nóbrega. Não deixou o novo endereço com ninguém. Simplesmente foi embora. O Rio de Janeiro não existe mais em sua vida. E tem certeza de que existe um plano para matá-lo. Sabe que representa um arquivo valioso. E preferiu sumir de vez porque se sente abandonado mesmo pelos amigos, entre eles o presidente. Nunca mais teve ajuda de ninguém. E cansou de pedir ajuda. Então antes que aconteça o pior, resolveu sair de cena porque quer continuar vivo.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.