Antes era um, agora são dois infames para azucrinar a cabeça dos brasileiros

Os que já sofriam dos nervos por causa da conversa de um, terão de suportar agora a conversa do outro também, como santos milagreiros que resolvem qualquer problema

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 09/03/2021 12h57
PixabayEstátua que representa a Justiça

Antes era um, agora são dois infames para azucrinar a cabeça da gente todos os dias. Agora são dois. Estarão nos jornais todos os dias, no rádio, na televisão, falando como se fossem dois magos da sabedoria. Mas são dois sábios da ignorância. A conversa será a mesma de sempre. Um deles dirá o que sempre dizia em 1960, aquelas mesmas lorotas, aquela falsidade que se conhece bem. Muitos conhecem bem, especialmente os que conviveram com ele por algum período. Aquela linguagem dos corruptos que se julgam espertos demais e quando são enquadrados pela Justiça sempre se dizem inocentes, e falam tanto em inocência que acabam sendo soltos. Como aconteceu agora, mais uma vez. Na Justiça brasileira há juízes especializados em soltar criminosos. Esse item passou a fazer parte da história da justiça do país. Agora são dois para azucrinar nossa cabeça. A Justiça brasileira precisa de um especialista de outro mundo para ser explicada, porque chegou num estado que ninguém sabe compreender o que vem fazendo já há alguns anos.

Agora são dois. Um deles chegou a ser batizado no rio Jordão, no Egito, como Jesus Cristo. Só faltou João Batista para mergulhar sua cabeça na água. Até há pouco, ele pensava que era Deus, agora ele tem certeza. Todos os dias ele falará sobre alguma proeza, especialmente neste tempo de pandemia, que já matou mais de 260 mil brasileiros. Dirá que é tudo mentira e que o Brasil é um país de covardes. Ninguém lhe perguntou, mas nesta segunda-feira, 8, essa figura afirmou que não colocará seu exército nas ruas para evitar que as pessoas saiam de casa. Ninguém perguntou nada. No entanto, a figura especializou-se em plantar noticiazinhas assim para ver a repercussão. É capaz de sair uma notícia assim: “Exército não sairá às ruas”. No Brasil não se pode duvidar de mais nada. De agora em diante, o clima vai ficar mais pesado. Os que já sofriam dos nervos por causa da conversa de um, terão de suportar agora a conversa do outro também. Dois. Agora são dois. Como santos milagreiros que resolvem qualquer problema. No fundo, os dois se confundem em desprezo ao povo. Cada um quer mesmo é saber de si. A política serve para coisas assim.

Cada vez que você ligar sua televisão, você verá a cara de um dos dois, ou dos dois no mesmo noticioso. Falando as mesmas coisas. Certamente um partirá contra o outro com agressões verbais para alimentar jornalistas que precisam de coisas assim para escrever suas matérias. Cada um faz o que bem deseja neste país à beira do abismo. Aguentar um já estava difícil demais, pelas mentiras, por negar tudo, por não estar nem aí para uma realidade dura de enfrentar, repleta de mortes e gente doente à procura de atendimento nos hospitais lotados. Esse tem interesse somente por suas próprias coisas. E tem sido assim: ele finge que governa e nós ficamos observando, porque é esse o papel que nos cabe. Só observar. O outro não é governo, mas vai agir como se fosse chefe de um governo paralelo. Assim determinou a Justiça brasileira, como num toque de mágica. O outro gosta de coisas assim. Quanto pior, melhor. É uma maneira de enganar pessoas incautas que nunca sabem que rumo tomar neste país de tantos absurdos. Ele gosta muito de fazer discursos com plateia favorável. Aliás, os dois gostam disso. O aplauso é garantido. Esse que começará a agir a partir desta terça-feira, 8, é muito dado a bravatas, daquelas que é preciso muita coragem para dizer. Aliás, os dois gostam de bravatas. E de bravatas do Brasil está cansado. Certamente os dois ainda não perceberam isso.

O povo também gosta de bravata feitas por lideranças de mentira para os quais tudo é uma aventura. O Brasil precisa de um povo consciente de seus direitos e deveres, para não se deixar enganar como numa história infantil. Ah, como se falará em Bolsa Família! Ah, como se falará em auxílio emergencial. Será um espetáculo todos os dias. Outro espetáculo serão as pesquisas do Datafolha, que merecerão análises profundas em mesas redondas integradas por cientistas políticos que entendem de tudo. São adivinhos. Será um espetáculo, mas não será engraçado. Poucos suportarão tanta aporrinhação todos os dias na cabeça. Todos os dias, todos os dias, toda hora, em qualquer lugar. Certamente vai se repetir o que um deles chama de caravana para percorrer o Brasil. Agora, os dois farão caravanas. Era apenas um, agora são dois para azucrinar a paciência dos pobres mortais que somos nós. Os dois estão num ringue para uma plateia de fanáticos se digladiando. São os apoiadores. Será que restará algum vivo? Devem matar-se pelas ruas em discussões intermináveis com os discursos costumeiros. Fora isso, tem ainda a pandemia para enfrentar. Um morto por minuto. Com mais esses dois vírus, a pandemia ficará bem mais forte no seu poder de destruir vidas. Bastariam apenas os dois, mais ainda tem o coronavírus. É demais para a cabeça de quem quer somente trabalhar e ter um pouco de paz. Nós não merecemos isso.   

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.