Até outubro de 2022 tem bastante tempo para Moro e Bolsonaro brigarem

Presidente fica irritado ao lembrar do relacionamento que tinha com o ex-juiz, que foi ministro da Justiça no seu governo

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 10/12/2021 10h06
Gabriela Biló/Estadão Conteúdo - 18/12/2019 Jair Bolsonaro sentado ao lado de Sergio Moro Presidente Jair Bolsonaro e o ex-juiz Sergio Moro em evento em Brasília na época em que Moro integrava o governo federal

Por enquanto as coisas estão mais ou menos calmas. Mas em 2022 isso vai mudar, especialmente com o início da campanha eleitoral para valer. Agora são apenas pequenos xingamentos entre os principais adversários. Mas o espetáculo de 2022 vai ser inesquecível. O presidente Bolsonaro teve um ataque de raiva na segunda-feira, 6, ao lembrar de alguns episódios que viveu com o ex-ministro da Justiça, o ex-juiz Sergio Moro, que se filiou no Podemos para tentar ser a chamada terceira via na eleição presidencial de 2022. E Moro está conseguindo ser pelo menos notado. As pesquisas mostram que está em terceiro lugar na preferência da população. E os votos de Moro estão sendo tirados de Bolsonaro. O presidente sabe disso. Por esse motivo, não gosta de lembrar da figura do ex-juiz da Lava Jato, especialmente quando foi ministro da Justiça. Bolsonaro fica irritado ao lembrar do relacionamento que tinha com Sergio Moro. 

O que mais incomodou o presidente foi o episódio da flexibilização de armas de fogo à população. Bolsonaro afirmou que o tempo todo Moro atuou contra o governo nesse assunto. O presidente deixou sua raiva correr solta na conversa que ele costuma ter com apoiadores no chamado “cercadinho” do Palácio da Alvorada. Esse ataque repentino a Moro pode ser marcado como o início da guerra pública de palavras e ofensas pela imprensa entre os dois na campanha eleitoral. O presidente também se referiu a Lula. Disse que o pré-candidato do PT já informou que, se for eleito, mandará recolher as armas hoje nas mãos da população. Lembrou que Moro entrou nessa história dizendo que Lula, se eleito, tem que ser mais rígido e peitar Bolsonaro na questão das portarias de armamento. Diante da manifestação de Sergio Moro, o presidente perguntou: “Como é que o cara aceitou trabalhar comigo sabendo que eu sou armamentista e depois trabalhou contra o governo?”.

Para Bolsonaro, faltou caráter a Sergio Moro. Ele entende que Moro devia comunicar que não aceitava trabalhar no governo “por ser de esquerda”. Bolsonaro acusa Moro de copiar o slogan que o presidente usou na sua campanha vitoriosa em 2018: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Disse que Moro está falando “o povo acima de tudo”. Bolsonaro observou que Sergio Moro não aguentará 10 segundos de debate. Na sua live da semana passada, Bolsonaro já tinha comentado esse assunto do armamento da população, referindo-se a Sergio Moro, dizendo que o ex-juiz está fazendo campanha pela presidência agindo como um palhaço, na base da mentira. Observou que Moro quis trabalhar no governo errado. Que vá trabalhar com o Alckmin, com o Lula, com o Haddad, com quem ele quiser. “Comigo não”, disse Bolsonaro, acrescentando que quer ver toda a população armada, que o povo armado jamais será escravizado.

Os adversários do presidente adiantam que ele afirmou tudo isso porque começa a sentir que Sergio Moro avança sobre seu eleitorado. E tudo indica que a raiva ao falar no “cercadinho” explodiu quando Bolsonaro soube que a chamada “bancada da bala”, da Câmara, convidou Moro para conversar. “Conversar o que, porr*?”, perguntou o presidente. Sabe-se que os parlamentares da “bancada da bala” entendem que Moro não seria frontalmente contra as armas, como os partidos de esquerda, mas, sim, defende o uso das armas sob regras rígidas. Convém lembrar que a “bancada da bala” deu sustentação a Sergio Moro quando, sozinho, ele enfrentava uma dura hostilidade do Congresso por causa da Lava Jato. A bancada da bala esteve ao lado de Moro nesse episódio. E Moro sabe bem o que isso significou na oportunidade, quando foi esmagado pelos grandes corruptos do Brasil amparados pelo Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro já repetiu várias vezes que Moro permaneceu pouco mais de 1 ano no governo e não aprendeu nada. Não sabe nada. E não tem caráter. Vamos lembrar que isso é só o começo. No cercadinho da terça-feira, 7, sem citar o nome, Bolsonaro afirmou que Sergio Moro é um idiota. E ficou só  no “ idiota”, para não alongar a conversa. Há muito ainda por acontecer. A eleição será só em outubro de 2022. Até lá eles terão tempo de se matar.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.