Bandidos corruptos se transformam em ‘ficha limpa’ por decisão de uma justiça partidarizada

Determinações recentes abrem margem para que pessoas que foram condenadas e até presas pela Lava Jato possam disputar a eleição de 2022

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 28/06/2021 12h53
Pixabay / Daniel_B_photosDecisões da justiça podem permitir que condenados pela Lava Jato se candidatem às próximas eleições

Para os políticos corruptos, o Brasil é uma terra maravilhosa. Tudo é maravilhoso. Mas tem maravilhas que ultrapassam a própria maravilha. Vejam este novo exemplo que revela bem os rumos do Brasil, um país cada vez mais à deriva num mar agitado demais para suportar o naufrágio: a Justiça – justiça brasileira – permitiu que candidatos condenados e os que foram até presos pela Lava Jato possam disputar a eleição de 2022. Como se vê, teremos candidatos da melhor qualidade. É quase certo que todos eles acusados e presos por corrupção voltarão à vida pública com o voto de um povo que ainda não sabe discernir as coisas como deve. As absolvições e outras medidas favoráveis concedidas pelo generoso Supremo Tribunal Federal, em que cada ministro tem um partido, dão a esses nomes ainda investigados a oportunidade de recuperar o prestígio que sempre desfrutaram para roubar o país descaradamente. O maior exemplo dessa bandalha é a figura nefasta do ex-presidente e ex-presidiário Luiz Inácio da Silva, que jogou a própria vida no lixo num ato de traição a si mesmo. São todos candidatos. Equivale dizer que abriram os portões das prisões e eles todos se dirigirão a um cartório eleitoral para registrar a candidatura.

Faz três anos que os eleitores conseguiram afastar essas figuras do cenário político brasileiro, no auge da Operação Lava Jato. Mas foi tudo em vão. Absolutamente em vão. Eles conseguiram acabar até com a Lava Jato, para deixar os bandidos corruptos em paz. Estão todos soltos e livres para voltar à vida pública. Claro que devemos nos parabenizar com a justiça brasileira. O maior impacto eleitoral dessas decisões judiciais tem como mestre de honra o ex-presidiário Lula. A justiça brasileira fez dele um santo com uma auréola dourada sobre a cabeça de bandoleiro. Depois dele, saiu uma fila de corruptos perdoados por uma justiça desmoralizada. O ex-presidente Michel Temer (MDB), que chegou a ter o carro interceptado na rua por agentes da Polícia Federal em 2019, já foi absolvido em cinco processos. Está tudo limpo. Temer garante que não será candidato a nada, mas tem participado ativamente para encontrar um candidato do centro à presidência. O ex-prefeito de São Paulo, o garotão Fernando Haddad (PT), já foi absolvido nos últimos meses em três ações de improbidade administrativa. Haddad tem ainda uma condenação na Justiça Eleitoral por caixa dois, mas a procuradoria já pediu sua absolvição. No Paraná, o ex-governador Beto Richa (PSDB), está estudando se concorre ao governo do Estado ou à Câmara federal. Desde 2018, quando renunciou ao Senado, Richa foi preso pelo menos três vezes acusado de desvio de dinheiro público. O ex-governador paranaense tinha ainda nas costas outros quatro processos pelo mesmo motivo, mas foram suspensos. E assim vai.

Os nomes citados nesta coluna são apenas um exemplo. Não é possível colocar o nome de todos os corruptos brasileiros presos e soltos numa só coluna. Necessitaria de mais espaço, muito mais. Todos os bandidos corruptos se transformaram de repente em “ficha limpa” por decisão de uma justiça partidarizada, que não protege o cidadão, já que optou por defender os delinquentes políticos que nunca desaparecem do cenário brasileiro. São sempre os mesmos. Não muda nunca. Caso saia o pai, entra o filho, a esposa, o sobrinho. E assim estão sempre presentes nas eleições com um lugar garantido nas câmaras federal e municipais e nas Assembleias Legislativas dos estados.  As entidades que atuam contra a corrupção e a impunidade estão sem saber ao certo como agir diante dessa farra brasileira. O presidente do Instituto Não Aceito Corrupção e procurador de Justiça de São Paulo, Roberto Livianu, afirma em entrevista ao Jornal O Globo que a volta dessa gente toda às eleições decorre de um sistema jurisdicional frouxo que deixa uma sensação amarga quando as penas não são eficazes. E não são mesmo. O Brasil tornou-se um país de bandidos, daqueles que agem nos subterrâneos do poder, desviando dinheiro, verdadeiras quadrilhas engravatadas que parecem ter as “leis” a seu favor. Vale a pena votar? Não vale. Todos os grandes corruptos do país que estão soltos gozando a vida serão reeleitos e continuarão na sua trajetória de crimes contra o erário, com uma justiça que protege os grande bandidos que hoje vivem bem em suas mansões, certamente felizes com a vida que escolheram para viver. Isso significa que a maior lei brasileira é a da impunidade. Essa ninguém muda.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.