Barco de Bolsonaro corre o risco de ficar à deriva em 2022

Presidente vem perdendo a base que o elegeu em 2018

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 17/12/2021 10h56
WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDOPresidente Jair Bolsonaro se filiou ao PL e deve concorrer à reeleição em 2022

A base eleitoral do presidente Jair Bolsonaro conquistada em 2018, quando se elegeu, está baixando a cada dia. Não podia ser diferente. Muitos dos mais ferrenhos bolsonaristas estão mudando de lado. E isso é evidente. As pessoas que têm um pouco de raciocínio, um pouco só, acompanharam nestes 3 últimos anos a conduta do presidente, especialmente no que diz respeito à pandemia, período em que revelou um negacionismo espantoso e também revoltante. O presidente chegou a dizer que esta “é uma pátria de maricas”, referindo-se àqueles que não escondem o medo do vírus. Nem tudo o povo esquece. Piores são seus seguidores nas redes sociais e até no jornalismo, que seguem essa linha agressiva de ser contra tudo no que diz respeito ao enfrentamento à pandemia. Chegam a dizer que a vacina mata. Sim, isso: a vacina mata! Só um imbecil completo não vê que o número de mortes no mundo – conte-se nisso o Brasil – baixou na medida em que a vacinação avançava. E no Brasil, a vacinação avançou contra a vontade do presidente e seus quatro ministros da Saúde. O atual, Marcelo Queiroga, não passa de um arremedo de gente, um servil dos mais repugnantes na arte de ser subserviente, sem contestar nada, até os mais agressivos dos descalabros.

Mais da metade da base eleitoral do presidente em 2018 vem apresentando intenção de mudar o voto, de acordo com números divulgados pela pesquisa do Ipec (antigo Ibope) nesta terça-feira, 15. Os principais beneficiários dessa debandada são o ex-presidente Luiz Inácio da Silva (PT) e o ex-juiz Sergio Moro (Podemos). Entre os que votaram em Bolsonaro na última eleição, 45% demonstram a intenção de continuar com o presidente, enquanto 55% dos eleitores de Bolsonaro em 2018 dizem que escolherão outro candidato. Desse eleitorado de Bolsonaro da eleição anterior, 22% dizem que desta vez votarão em Lula, enquanto 10% revelam preferência por Moro. Assim, a base eleitoral do presidente está murchando. Conforme informa o Ipec, o governo de Bolsonaro tem hoje 55% de desaprovação. O Datafolha desta quinta-feira, 17, revelou que essa rejeição já está em 60%. Em outras palavras, 60% do eleitorado dizem que não votarão em Bolsonaro de jeito nenhum.

Os outros candidatos também sofrem rejeição, mas nesse item Bolsonaro está em primeiro lugar. É o pior índice já registrado pelo presidente e a tendência é aumentar mais. Os melhores números de Bolsonaro aparecem entre os evangélicos. Mesmo assim, fica num empate técnico com Lula nesse segmento, com pouco mais de 30% cada um. Na verdade, Bolsonaro está colhendo o que plantou nestes 3 anos de governo. Faltou com respeito com seu povo. Sempre. Participou até de manifestações contra a democracia a favor de um golpe, montado num cavalo como um paladino da salvação nacional. E enquanto os mortos pela Covid se multiplicavam aos milhares, ele preferia passear de moto, sem contar os discursos que representaram verdadeiros desastres na vida de qualquer político que queira ser sério. Até os mais ferrenhos bolsonaristas estão deixando o barco. Bolsonaro corre o risco até de não ir para o segundo turno das eleições. Isso vai depender do desempenho do ex-juiz Sergio Moro. Corre esse risco mesmo. O barco de Bolsonaro, de repente, poderá ficar à deriva.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.