Bolsonaro buscará a reeleição apostando em programas sociais desenvolvidos pelo governo Lula

Objetivo do presidente é convencer o eleitorado de menor renda, entre os quais Luiz Inácio tem maior aceitação

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 13/01/2022 13h59
WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDOBolsonaro deve tentar a reeleição no pleito de outubro deste ano

Presidente Bolsonaro já está discutindo com seus auxiliares mais próximos as questões da reforma ministerial e o que isso poderá significar na conquista de votos na eleição presidencial de outubro. Vários ministros deixarão seus cargos para disputar as eleições. Essas vagas nos ministérios serão negociadas com os partidos aliados. Já debruçado nessa questão, o presidente também estuda os pontos que abordará na sua campanha, visando tirar votos de Luiz Inácio da Silva na camada mais pobre da população. Um dos principais assuntos que serão explorados na campanha eleitoral será o Auxílio Brasil, que tomou o lugar do Bolsa Família de Lula. É um tema que será bastante trabalhado pelo presidente. Resumindo, Bolsonaro buscará a reeleição apostando especialmente em programas sociais desenvolvidos pelos governos de Lula, com o objetivo de convencer o eleitorado de menor renda, entre os quais Luiz Inácio tem maior aceitação. 

Some-se ao Auxílio Brasil o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade para Todos (ProUni), que foram uma referência do governo petista. E tem mais: as obras da transposição do rio São Francisco foram concluídas pelo governo Bolsonaro e o presidente deseja que a paternidade seja sua, não do PT e de Lula. Essa estratégia começou em outubro de 2021, quando Bolsonaro editou medida provisória possibilitando renegociação da dívida do Fies em até 12 anos. Exatamente, 12 anos. E mais: Bolsonaro liberou o acesso ao ProUni para ex-alunos de escolas privadas que não tiveram bolsa de estudo no ensino médio. Bolsonaro pretende levar esses temas especialmente para os comícios no Nordeste. Bolsonaro também falará nos seus discursos de campanha as entregas que realizou no programa criado por seu governo “Casa Verde e Amarela”, substituindo o “Minha Casa Minha Vida”, dos governos petistas. Quanto ao Auxílio Brasil, Bolsonaro já tem o discurso feito: dirá que esse programa é melhor e mais abrangente que o antigo Bolsa Família. 

Merecerá ênfase especial de Bolsonaro o auxílio emergencial do governo à população de baixa renda durante a pandemia, dizendo que o total investido pelo governo na pandemia em auxilio equivale a mais de 13 anos de Bolsa Família. O presidente está mesmo preocupado com o eleitorado de menor renda, grupo que foi essencial para sua vitória em 2018. O desafio é resgatar essa confiança perdida com atitudes muitas vezes descabidas para tratar de assuntos importantes para o país. O PT sentiu o golpe, tanto que a presidente do partido, Glesi Hoffmann, tem dito que Bolsonaro vem se apropriando de programas do PT, observando que seu programa não conseguiu construir uma marca própria. Gleisi afirma que Bolsonaro nunca teve um projeto para o país e agora tenta apenas mudar o nome de programas petistas, com caráter eleitoreiro. O problema agora é saber se essa estratégia de campanha vai convencer o eleitorado mais pobre. No entanto, isso é só o começo. Muita coisa ainda vai acontecer neste ano que promete muitas discussões e também as mentiras deslavadas de sempre. Bolsonaro já está mudando o tom de seu discurso citando Luiz Inácio nominalmente, chamando-o de canalha que quer voltar ao lugar do crime ajudado por Geraldo Alckmin.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.