Bolsonaro pode não ir aos debates este ano, já que tudo vira discussão de insultos

Em 2018, presidente venceu a eleição presidencial indo a apenas dois debates, mas ele havia sofrido um atentado contra sua vida; neste ano, a saúde está boa, mas a vontade de comparecer à discussão, não

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 08/04/2022 13h23
Alan Santos/PR Jair Bolsonaro Bolsonaro participou de apenas dois debates em 2018

O presidente Jair Bolsonaro não se mostra muito interessado em participar dos debates na televisão. Ele tem conversado com seus auxiliares mais próximos sobre o assunto. O presidente dá a entender que não lhe interessa bater boca com ninguém. Até porque aquilo tudo se transforma numa discussão de insultos. E, ao mesmo tempo, todo mundo é santo. E fica aquele monte de assessores desesperados nos intervalos, como se tudo aquilo fosse de fato sério. O Planalto tem enviado alguns assessores às emissoras que programaram os debates, mas nenhuma emissora confirma o nome de Bolsonaro. Vai sobrar quem? A quem interessa um debate que terá apenas Lula como candidato com força suficiente para chegar à Presidência, mesmo sendo um ex-presidiário por corrupção e solto por uma manobra do Supremo Tribunal Federal?

Em 2018, Bolsonaro venceu a eleição presidencial e não participou dos debates, mas ele havia sofrido um atentado contra sua vida, quando levou uma facada na barriga, história até hoje que está a merecer uma explicação mais séria de quem investiga. Neste ano, a saúde está boa, mas a vontade de participar, não. No Palácio do Planalto já é dado como certo que Bolsonaro não vai comparecer aos debates. No entanto, ao mesmo tempo, fala-se no governo que o presidente fará questão de participar por “achar-se melhor preparado”. Mesmo em 2018, Bolsonaro participou de 2 debates eleitorais e o clima foi tenso demais, especialmente quando ele se defrontou com a então candidata Marina Silva (Rede) na Rede TV.

A discussão que descambou se deu porque Marina defendia a mulher na questão salarial em relação aos homens. Foi uma discussão feia, até que Bolsonaro afirmou: “Temos aqui uma evangélica que defende plebiscito para aborto e para a maconha e agora quer defender a mulher!”. Marina então respondeu: “Você acha que pode resolver tudo no grito e na violência!”. Evidentemente essas cenas deprimentes vão se repetir este ano. Mas Bolsonaro está com um pé atrás. Acha que ganhará mais não participando de nada. Ou se participar, não vai ser debate e sim briga. Pensando bem, é assim que funciona. Uma briga muitas vezes rende muitos votos. Então Bolsonaro está pensando nessa questão.

Já as grandes plataformas das redes sociais bolsonaristas deixam claro que seus alvos serão ao Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral, o que supera até a campanha contra Luiz Inácio da Silva na campanha eleitoral. Contra os tribunais, Bolsonaro já deu a deixa: é que ele disse no dia 31 de março, aniversário do golpe militar de 1964, quando numa cerimônia, em tom de ofensa, afirmou, referindo-se aos ministros do Judiciário: “Senão tem ideias, cala a boca. Bota tua toga e fica aí sem encher o saco dos outros”. Esse será o tom das redes sociais pró-Bolsonaro. E se Bolsonaro participar dos debates, o tom será o mesmo. Mas por enquanto não se sabe ao certo. O assunto está sendo discutido e Bolsonaro trata dessa questão com desdém.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.