Bolsonaro quer debate sem provocações em 2022

Presidente afirma que perguntas sobre seus filhos num debate político não levam a lugar algum

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 08/12/2021 14h02
Foto: José Dias/PR Jair Bolsonaro Presidente Jair Bolsonaro afirmou que vai participar de debates em 2022

Fiquem todos avisados para não dar confusão: o presidente Jair Bolsonaro diz estar disposto a participar de debates para a eleição presidencial de 2022, desde que não haja pergunta sobre família e amigos. Não vai ter conversa. Se alguma pergunta for assim, ele vira a mesa. E ninguém sabe o que poderá acontecer. Bolsonaro quer evitar questionamentos de outros candidatos sobre investigações criminais envolvendo especialmente seus filhos. O presidente assegura que esse tipo de pergunta num debate político não vai levar a lugar nenhum. Então, o melhor é não mexer com isso. Se seus adversários insistirem, Bolsonaro poderá abandonar o debate. E aí, como é que fica? De qualquer maneira, o presidente afirma estar totalmente aberto para debater seu governo e até seu comportamento frente aos problemas do país. O objetivo é mesmo evitar indagações sobre seus filhos.

O senador Flávio Bolsonaro (Patriotas) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) são acusados de desviar parte dos salários dos funcionários de seus antigos gabinetes, o chamado crime das “rachadinhas”. Até o filho mais novo, Renan Bolsonaro, que não é parlamentar, é alvo de inquérito da Polícia Federal que apura suspeitas de tráfico de influência. Todos eles negam que tenham cometido qualquer irregularidade. Se os questionamentos não forem sobre a família e os amigos do peito, Bolsonaro afirma que, de sua parte, não vai ter guerra. Afinal, ele tem quatro anos de mandato para mostrar aos adversários. O presidente afirma que não vai aceitar provocação de ninguém. Em 2018, Bolsonaro também prometeu que participaria dos debates, o que não lhe foi possível devido à facada de que foi vítima em Juiz de Forra, MG, durante a campanha eleitoral. Desta vez é diferente. O presidente está aí para enfrentar qualquer debate de igual para igual. Mas tem que ser um debate civilizado, sem provocações. Tem que se falar sobre o país, problemas familiares não podem entrar nesse tipo de discussão. No entanto, isso vai ser difícil evitar.

Será que alguém perguntará a Bolsonaro sobre os problemas que sua ex-mulher vem enfrentando, acusada de ser a administradora das “rachadinhas” dos filhos, além de atos de corrupção em outras áreas? Será que alguém perguntará sobre o deputado federal Josimar Maranhãozinho, que foi flagrado pela Polícia Militar com R$ 250 mil em dinheiro vivo, desvio de recursos de emendas parlamentares? O problema é que o deputado pertence ao PL, partido ao qual o presidente se filiou e que, no mensalão, junto com o PT, ficou em primeiro lugar na ladroagem. A pergunta, se for feita, será perfeitamente pertinente. Provocação é o que mais se usa nos debates políticos. Mesmo fora dos debates, as provocações entre os candidatos, especialmente os principais, estão correndo soltas todos os dias pelo noticiário. Todo mundo xinga todo mundo. Afinal, ninguém é santo. Se fosse santo não estaria metido nessa sordidez que é a política brasileira, onde impera o “toma lá dá cá”. Então é assim: todo mundo xinga todo mundo, particularmente Luiz Inácio da Silva, para quem ninguém presta, porque nunca se olha no espelho. Principalmente ele, o político mais honesto do mundo, não é mesmo? Corrupto é sempre corrupto. Todo mundo vai para os debates com o telhado de vidro. Vamos ver quem atira a primeira pedra.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.