Circo da CPI da Covid-19 está no fim e não vai dar em nada

Parlamentares querem mesmo é aparecer, fazendo daquilo um palanque, mas, mesmo assim, comissão mostrou ao país crimes de gente cínica que age com toda a liberdade

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 13/10/2021 10h35 - Atualizado em 13/10/2021 20h45
Edilson Rodrigues/Agência SenadoRenan Calheiros disse que cerca de 40 pessoas serão indiciadas no relatório da CPI da Covid-19

Pode ter sido um circo. Depende da avaliação de cada um. Mas as investigações realizadas pela CPI da Covid-19 revelaram como vive um país que tem na corrupção sua identidade principal. Os casos de corrupção mostrados pela CPI não saíram do nada. São verdadeiros. Envolvem pessoas sinistras. Ladrões perigosos. Criminosos que têm que ser punidos. A CPI da Covid nem acabou ainda, mas já se sabe o que dirá o relatório do senador Renan Calheiros (DEM), um exemplo de político brasileiro no que diz respeito à corrupção, envolvido em mais de 10 processos. Aquilo tudo sempre foi uma loucura completa, salvando-se apenas dois ou três parlamentares. No último domingo, 10, Renan Calheiros informou que o relatório final da CPI atribuirá pelo menos 11 crimes ao presidente Bolsonaro. As conclusões da CPI serão enviadas ao Ministério Público, que decidirá se envia os casos à Justiça. Calheiros adianta que cerca de 40 pessoas serão indiciadas. A lista de crimes contra Bolsonaro inclui os de responsabilidade,  contra a saúde pública e até contra a humanidade, além de várias condutas previstas no Código Penal.

Convém dizer que o relatório final da CPI não propõe acusações diretas, mas apenas indiciamentos. No caso de Bolsonaro, o indiciamento precisa ser apresentado à Procuradoria Geral da República (PGR) que, como determina a Constituição do país, tem a prorrogativa de protocolar ações penais contra o presidente da República. O senhor senador Renan Calheiros afirmou que não vai perdoar ninguém. Calheiros informou que pensa em adiantar o caso da Prevent Senior para o Ministério Público de São Paulo. Se for o caso de antecipar alguma medida jurídica, ela será processada imediatamente. O relator tem no presidente Bolsonaro seu alvo especial e chega a dizer que “não vamos falar grosso na investigação e miar no relatório”. A cúpula da CPI vem se reunindo com especialistas para encaminhar a conduta dos investigados nos crimes previstos na legislação brasileira.

A CPI tem recebido a colaboração de um grupo de juristas coordenado pelo ex-ministro da Justiça, Miguel Reale Junior, que já apontou à Comissão uma lista de crimes de responsabilidade praticados por Bolsonaro que podem levar o presidente ao impeachment, de acordo com a Constituição. Falando à GloboNews, Calheiros adiantou os nomes de alguns que deverão ser indiciados, caso do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP), deputado Osmar Terra (MDB), os médicos Paolo Zanotto, Nise Yamaguchi e outros “ilustres integrantes do gabinete paralelo e do gabinete do ódio”. O primeiro a receber o relatório será a Procuradoria-Geral da República, no próximo dia 21. Então o circo de todos os dias que alegrava e enraivecia também as manhãs e as tardes brasileiras está no fim.

É uma tristeza ter um presidente da República apontado em pelo menos 11 crimes por uma CPI, seja ela qual for. A CPI pode ser um circo, concordo, porque muitos parlamentares querem mesmo é aparecer, fazendo daquilo um palanque, mas, mesmo sendo um circo, mostrou ao país crimes de gente cínica que age com toda a liberdade e até cobertura de “grandes” figuras nacionais. Isso tudo não saiu do nada. As investigações foram feitas e a CPI dispõe de farta documentação demonstrando o absurdo deste país, onde se rouba até seringa em tempo de pandemia. Não tenho receio de dizer que, apesar dos pesares, tudo que a CPI da Covid descobriu em matéria de crimes contra o país é verdadeiro. Pena que, como sempre, todo esse trabalho vá dar em nada. 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan