Ciro Gomes continua a malhar todo mundo e a enfrentar problemas com sua própria candidatura

Enquanto busca um vice para si, o pedetista faz críticas ao Centrão e diz que todos os que governaram com esse grupo ‘se lascaram’

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 09/02/2022 13h20
Foto: José Cruz/Agência Brasil Ciro Gomes com o dedo levantado falando em um palanque. Homem branco, careca, usando terno preto e camisa azul por baixo. O candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes

O pré-candidato do PDT, o incansável Ciro Gomes, está com a metralhadora giratória nas mãos, mas ainda sob controle. Passa os dias pensando na Marina Silva, que gostaria de ter como vice. Ciro resolveu falar sobre coisas que estão na sua garganta há muito tempo, especialmente sobre o Centrão, que ele considera uma praga. O Centrão, que começa a abandonar o presidente Bolsonaro. O Centrão é essa coisa parasitária que vive em torno de si mesmo, fazendo somente o que lhe interessa. Diante das dificuldades que encontrava pela frente, muitas criadas por ele mesmo, o presidente Bolsonaro praticamente entregou o governo a esse bloco de oportunistas, parlamentares do baixo clero que estão sempre à espreita esperando surgir uma oportunidade para lucro próprio. As lideranças dos partidos que compõem o Centrão começam a discutir quais são as chances de Bolsonaro na eleição de outubro. Como o apoio do Centrão a qualquer governo significa um negócio, as coisas são resolvidas de maneira prática. Negócio exige solução prática. Negócio é negócio. E assim a mesma história de sempre começa a acontecer de novo. Integrantes do grupo dizem abertamente que vão passar para o lado de Lula, o maior adversário de Bolsonaro, tendo por base as pesquisas eleitorais, em que a popularidade de Lula, especialmente no Nordeste, bate de 11 a zero no negacionismo de Bolsonaro. Mas é bom dizer que Bolsonaro ajuda. Basta dizer que ele se refere ao povo nordestino usando a expressão “pau de arara”. Assim não dá.

Para Ciro Gomes, essa ideia de uma terceira via nasceu no Centrão. Ele diz que, no fundo, são todos viúvas de Bolsonaro. Fazem de conta que todos no país formam um bando de imbecis e idiotas sem memória. “O Sergio Moro, por exemplo, é o Ômicron de Bolsonaro”, afirma Ciro, adiantando ser necessário mudar isso no Brasil. Chega de Centrão governar. Isso vem acontecendo há 30 anos, desde o governo Collor, passando a seguir pelos governos de Fernando Henrique Cardoso, de Lula e até agora, momento em que Bolsonaro se vê amarrado por um grupo que faz o que bem entende. Ciro Gomes observa que isso tem de mudar. Não é mais possível seguir com esse modelo. A governança política muda completamente quando o Centrão entra em cena. Agora esse bloco está promovendo a desgraça do Brasil. Não dá para continuar assim. 

Ciro observa que todos que governaram com o Centrão se lascaram e a continuar assim o Brasil é candidato a ser uma ex-nação. Afirma que todos que governaram com o Centão tiveram um destino difícil: Fernando Collor foi cassado, Fernando Henrique Cardoso e o PSDB nunca mais venceram uma eleição, Lula foi para a cadeia, Dilma foi cassada, Michel Temer saiu pela porta dos fundos. Todos governaram “com essa gente” e se “lascaram”. Para Ciro, “essa gente” está desmoralizando o governo de Bolsonaro. Já está havendo uma debandada do bloco, abandonando o presidente. Assim, na cara dura, como se não existisse compromisso político nenhum. Os aliados do Centrão, por seu lado, dizem que se cansaram da tentativa de mudar o comportamento do presidente diante de problemas graves como a pandemia. Parece que cada vez mais Bolsonaro quer mostrar que é negacionista mesmo. Só que isso tem um preço. E tudo indica que vai custar caro.

No final, Ciro Gomes continua a malhar todo mundo e a enfrentar problemas com sua própria candidatura no PDT, criticada até dentro do partido. Alguém inventou que Marina Silva poderá ser a vice na chapa de Ciro. E ele se apaixonou. Mas muitos dirigentes não levaram isso a sério, dizendo que mais parece um “abraço de afogados”. Já Marina Silva se nega a trabalhar com o marqueteiro João Santana, contratado pelo PDT. Então fica assim mesmo, as histórias se repetem. Ciro alerta que o Centrão já está abandonando Bolsonaro, como sempre fez. E Bolsonaro faz de conta que não sabe disso. Negócio é negócio. Ciro começa a demonstrar sua raiva. E de agora em diante vai mudar seu comportamento. Todos se traem. E diante disso, lá vai o Brasil descendo a ladeira, em busca de seu destino de ser uma ex-nação que um dia existiu na América do Sul.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.