Ciro Gomes sempre faz um espetáculo em tempos de eleição, mas acaba se juntando a Lula

Pré-candidato do PDT à presidência gosta de dar declarações grosseiras sobre seus adversários, como uma marca registrada, o que só revela o tamanho de nossa pobreza

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 05/01/2022 15h26
Nilton Fukuda/Estadão ConteúdoCiro Gomes é pré-candidato à presidência pelo PDT

O pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, iniciou o espetáculo que costuma promover sempre em tempos de eleição, com declarações grosseiras contra seus adversários. E neste 2022 não poderia ser diferente. Inicialmente, seus alvos principais são o presidente Bolsonaro e o ex-ministro Sergio Moro, pré-candidato do Podemos. Ciro sentiu fundo o ingresso do ex-juiz Sergio Moro na eleição em outubro e está comprando briga com todo mundo. Quer reconquistar o terceiro lugar nas pesquisas de intenção de votos tomado por Moro, que vem crescendo aos poucos, o que não significa que será ele a chamada e esperada terceira via na disputa presidencial, hoje polarizada entre o presidente Bolsonaro e Luiz Inácio da Silva, que saiu da cadeia onde cumpria pena por corrupção e se tornou candidato a presidente. No Brasil tudo é possível, principalmente quando o Supremo Tribunal Federal dá uma ajuda.

Criticando o governo Bolsonaro, Ciro diz que tem que mudar tudo no modelo econômico atual. Aliás, ele acha que tem que mudar tudo na economia desde Fernando Henrique Cardoso até aqui. Fora isso, Ciro Gomes desafiou Sergio Moro para um debate público. Afirma que provará que Moro não significa nada na ordem das coisas. Seria, digamos, uma espécie de intruso no meio político. Um intruso que deseja ser presidente da República. Ciro Gomes afirma que o Brasil é um país com potencial humano para ser uma grande nação, justa, próspera e com igualdade de oportunidade a todos. Mas a realidade atual está distante disso. Observa que Bolsonaro nunca teve um projeto e só cometeu erros estratégicos por uma visão elitista e por isso estamos hoje desprovidos até de compaixão pelos mais pobres. Estamos divididos e sofridos numa crise que não encontra saída. Ciro assegura que a crise é moral, social, econômica, política e institucional. E, como sempre, quem paga a conta é o povo.

O pré-candidato do PDT afirma que está tudo errado no governo Bolsonaro, com 13 milhões de desempregados e mais outros 32 milhões trabalhando na informalidade, vivendo de bicos. Além de detonar Bolsonaro em tudo, do comportamento à sua gestão, Ciro também quer “pegar” Sergio Moro, a quem chamou para um desafio. “Que tal você deixar de falar obviedades e vir debater economia comigo, ao vivo?”, escreveu Ciro nas redes sociais. Afirmou que Sergio Moro é apenas um papagaio que fala sempre as mesmas coisas. Mas tem que explicar essas coisas que “papagaia” em todo lugar. Para Ciro, Moro não tem coragem de enfrentá-lo num debate, não tem coragem nem conteúdo. Está fugindo porque tem medo. Chamando Moro de covarde, dissimulado e despreparado, diz para o ex-juiz da Lava Jato marcar o dia e a hora que ele irá para desmascará-lo.

Ciro Gomes faz aquelas agressões de sempre e agora está a fim de brigar com todo mundo, incluindo Lula, Dilma, FHC e quem mais aparecer para debater com ele qualquer assunto. Pior de tudo é que Ciro Gomes garante que vai provar que Sergio Moro é um corrupto, como vem dizendo o PT, tentando desconstruir a boa imagem que Moro tem junto à população. Tem mais: na sua ânsia de brigar com alguém, Ciro Gomes se refere a Sergio Moro como “estepe do fascismo”, “bandidão despreparado” e “canalha rematado”. Já Sergio Moro adianta que até aceita debater, desde que Ciro Gomes seja civilizado e não isso que é e sempre foi. Esse é o nível. Já dá para imaginar o que vem pela frente. Mas quanto a Ciro Gomes não há novidade nenhuma. Ele sempre começa assim e, no final, se junta a Lula. Mas não deixará nunca sua agressividade, uma espécie de marca registrada, como se essa linguagem resolvesse alguma coisa. Não resolve nada e só revela o tamanho de nossa pobreza.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.