Decisão de Michelle Bolsonaro de se vacinar nos EUA afeta ânimos

Até a primeira-dama passou a fazer parte das intrigas e desordens de todos os tipos que envolvem o Brasil

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 27/09/2021 17h23
EDU CHAVES/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOMichelle decidiu vacinar-se nos EUA, quando acompanhou a viagem do presidente Bolsonaro à Nova York

Desta vez, até a primeira-dama Michelle Bolsonaro entrou nas discussões inúteis de sempre deste país. Razão: Michelle decidiu vacinar-se nos Estados Unidos, quando acompanhou a viagem do presidente Bolsonaro à Nova York para discursar na Assembleia-Geral da ONU. A decisão de Michelle provocou a ira de um setor nacional que o governo faz de tudo para desacreditar perante a população. Vendo a repercussão de sua vacinação em Nova York, a primeira-dama, por meio de uma nota da Secretaria Especial de Comunicação Social do Governo (Secom), resolveu não se desculpar, mas tentou esclarecer a razão que a levou a se vacinar fora do país, passando a impressão de que o serviço de vacinação no Brasil não é confiável. Na noite de sexta-feira, 24, Michelle explicou que, ao se submeter ao teste PCR, necessário para seu regresso ao Brasil, o médico americano que a atendeu sugeriu que ela se vacinasse. E ela aceitou.

Na nota, Michelle tentou desfazer a surpresa de ter decidido imunizar-se fora do país, elogiando do sistema de saúde brasileiro. Ocorre que o estrago já estava feito. Políticos e infectologistas viram na vacinação de Michelle fora do país um absurdo e até mesmo um desprezo ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD), observou que a primeira-dama poderia ter se vacinado no Brasil, até mesmo como exemplo aos brasileiros. Para o senador, isso sim seria patriotismo de verdade, e não “patriotismo da boca para fora”. Adiantou que ao se vacinar, Michelle merece uma nota 10, mas ao fazê-lo em outro país a nota é zero. Até porque a vacina aplicada nos Estados Unidos é a mesma disponível no Brasil. Já o senador Randolfe Rodrigues (Rede), afirmou que a decisão de Michelle foi lamentável e desvalorizou o sério trabalho da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de cientistas do país. “O Brasil não merece uma atitude assim”, disse o senador.

Observou ainda que essa decisão da primeira-dama representa mais uma página lamentável e triste para a história nacional. Já o epidemiologista Pedro Hallal, que coordena o Epicovid, estudo epidemiológico sobre o coronavírus no Brasil, afirmou em entrevista ao jornal O Globo que a decisão da primeira-dama revela o desprezo que tem pelo SUS. O infectologista Jamal Suleiman, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, disse que o programa de vacinação no Brasil é um exemplo ao mundo e que as vacinas aplicadas no Brasil são seguras e eficazes, observando que a população deve procurar os postos de saúde para vacinar-se. Adiantou ser uma pena que o governo federal não pense assim. Para o infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunização, a decisão da primeira-dama é mais um absurdo brasileiro, salientando que as vacinas utilizadas no Brasil são seguras. Por isso, não se entende porque ela preferiu vacinar-se nos Estados Unidos. Críticas de todos os lados.

A nota da Secom informou que a primeira-dama reitera a sua admiração e respeito ao sistema de saúde brasileiro. E nada mais se disse a respeito. O fato é que Michelle se vacinou, mas não no Brasil. Preferiu vacinar-se nos Estados Unidos. Evidentemente que essa decisão pesa, sim, no ânimo da população brasileira, até porque o governo do seu marido se mostra declaradamente contrário a vacinação. O Brasil é isso que aí está. Confusão para tudo. Agora, até a primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a fazer parte das intrigas e desordens de todos os tipos que envolvem este país. Convém dizer, para concluir, que Michelle tem 39 anos de idade. Sua vacina está disponível em qualquer posto de saúde de Brasília desde o dia 23 de julho. Mas, entre nós, vacinar-se em Nova York é mais chique.