Destruidora de famílias, ‘gatinha da Cracolândia’ não merece o perdão

Lorraine Cutier Bauer Romeiro é tratada como celebridade e não deve demorar para sua história virar filme

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 30/09/2021 12h33
Lo Bauer/Instagram/Montagem de fotosLorraine foi presa por tráfico de drogas em São Paulo em julho

Você já ouviu falar na “gatinha da Cracolândia?”. Pois a “gatinha da Cracolândia” existe. É até uma bela mulher. O país não vive somente dessas discussões políticas inócuas de todos as dias. Não. Há outras coisas acontecendo, como a “gatinha da cracolândia”. Dizem até que é sedutora. Uma gatinha sedutora. Uma beleza. E os jornais mostram a gatinha todos os dias, com belas fotografias, como se ela fosse uma celebridade. Muitas vezes falta vergonha na cara aos jornais. São capazes de transformar a chamada “gatinha da cracolândia” numa diva. E logo sua vida vai virar filme. É assim que funciona. A Justiça de São Paulo negou pedido de liberdade da defesa de Lorraine Cutier Bauer Romeiro, de 19 anos, família abastada, conhecida como a “gatinha da Cracolândia”. Está presa desde 22 de julho. E quer sair. Ela não aguenta mais ficar numa cela. Sempre de vestidos caros, na Cracolândia ela era diferente. Ia toda de preto, com capuz, e vendia drogas àqueles condenados à morte, verdadeiros farrapos humanos que vivem abandonados numa zona central da cidade de São Paulo.

Pois a mocinha, a gatinha, decidiu ganhar a vida vendendo droga na Cracolândia. Ganhava R$ 6 mil por dia. Quantas pessoas ela fez morrer com as drogas que vendeu todos os dias? Até o nome dela é bonito. Coisa fina. Gente fina. Toda loura, cabelos compridos, uma beleza. Está presa, coitadinha da “gatinha da Cracolândia”. Antes de ganhar a liberdade – claro que ganhará – a polícia está investigando para saber se ela tem ligação com alguma facção criminosa das que agem em São Paulo. A decisão de não soltar a gatinha partiu do juiz Gerdinaldo Quichaba Costa, da 13ª Vara Criminal de São Paulo. O juiz está de parabéns. Merece o agradecimento da sociedade. Ele diz que ainda estão presentes os requisitos exigidos para uma prisão preventiva. Especialmente a garantia da ordem pública, já que a “gatinha da Cracolândia” foi presa em flagrante pelo crime de tráfico de drogas e já respondia a outro processo pelo mesmo motivo. Quer dizer, a gatinha não tem jeito. E os jornais estampam fotos lindas da moça, toda glamorosa, lânguida e outras coisas mais. O juiz Gerdinaldo foi além, e negou à “gatinha” a conversão da prisão preventiva em domiciliar. Até porque, recentemente, num outro processo, a gatinha descumpriu o benefício.

A “gatinha” de 19 anos é tida como uma das chefias do tráfico naquela triste região do centro da cidade de São Paulo, mais parecida com o inferno repleto de mortos-vivos. Mortos-vivos que rendem dinheiro para uma certa gente que devia ser enfiada numa cadeia e não sair nunca mais. Para mim, traficante de drogas não pode ter perdão. São destruidores de famílias inteiras. A família que tem um drogado está destruída para sempre, e é nesse lugar que a “gatinha” ia ganhar seu dinheirinho, R$ 6 mil por dia. Aquelas pessoas abandonadas à própria sorte rendem dinheiro para gente desclassificada e indecente como a “gatinha da Cracolândia”. Num país onde todos os valores estão invertidos, tudo isso chega a ser normal. Nada mais espanta o brasileiro, vivendo sempre numa espécie de país que, no fundo, com as exceções, representa um antro de vigarice e gente que não vale nada. Mas exatamente essa gente que não vale nada é que sempre dão as ordens. Tadinha da “gatinha da Cracolândia”, presa, solitária, não gosta de ficar trancada. Quer sair às ruas, gozar de toda liberdade, já que dinheiro para isso ela tem. E tem de sobra. Graças aos mortos-vivos da Cracolândia. Tadinha da gatinha. Vamos fazer uma campanha para que a justiça a solte. Ela precisa aproveitar a vida, não é mesmo?