Discussão sobre o voto impresso não leva a lugar algum, e agora o Lula ainda quer se meter

Com a linguagem inconsequente de sempre, petista defende manutenção da urna eletrônica; já Bolsonaro avisa que só entregará a faixa presidencial se perder de forma limpa

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 07/07/2021 13h34 - Atualizado em 07/07/2021 13h35
Claudia Martini/Enquadrar/Estadão Conteúdo - 12/06/2021Lula diz que sua eleição é a prova de que voto eletrônico funciona

O ex-presidente e ex-presidiário Luiz Inácio da Silva entrou na nova contenda brasileira, o voto impresso, desejado pelo presidente Jair Bolsonaro, que faz ameaças não devidamente compreendidas. O capitão tem dito que em 2022, sem voto impresso, vai haver problema. O tom é de advertência. O que poderá acontecer se a eleição for na urna eletrônica? O pleito será no ano que vem — pelo menos é o que se espera —, e Bolsonaro já está falando em fraude. Mas eis que agora entra na discussão aquele que se julga dono de todas as verdades, o Luiz Inácio da Silva, dizendo que voltar para o voto impresso seria como voltar para a época dos dinossauros. Lula diz que, se fosse possível roubar na urna eletrônica, jamais um metalúrgico teria sido eleito presidente do país. Aquela conversa já bem manjada de sempre. Nessa questão, faz tempo que o petista não é metalúrgico (e há quem duvide que tenha sido algum dia).

Na verdade, vamos ser sinceros: Lula nunca trabalhou. Mas, disposto a entrar na discussão defendendo o voto eletrônico, afirma que eleição roubada foi a de Bolsonaro, eleito com fake news e sem participar de nenhum debate. É aquela linguagem inconsequente de sempre. Já o atual presidente, na sua live semanal, anuncia que não vai admitir um sistema fraudável nas eleições e mencionou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da deputada bolsonarista Bia Licis (PSL). Bolsonaro afirmou que, caso essa PEC não seja aprovada no Legislativo, o STF precisará descobrir uma maneira de fazer a contagem aberta dos votos para evitar riscos. Disse também que entregará a faixa presidencial para qualquer um que vencê-lo na urna de forma limpa. Na fraude, nem pensar. Bolsonaro está decidido a elevar essa briga. O assunto começa a preocupar. O problema é que, na Câmara, 11 partidos, que somam 326 votos, já se posicionaram contra a ideia do voto impresso. Para rejeitar uma PEC são necessários 205. Quer dizer, tem voto sobrando contra o que deseja Bolsonaro.

Na conversa que ocorreu durante a live, Bolsonaro atingiu numa tacada só dois poderes, o Legislativo e o Judiciário. Diante disso, o que ele vai fazer? Fechar os dois poderes e tornar-se um ditador? No caso, bastaria baixar um ato impondo o voto impresso de maneira autoritária. Mas, para isso, dependeria do apoio das Forças Armadas. Como isso está fora de cogitação, o assunto vai longe. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, adverte que a introdução do voto impresso no país acarretará mais suspeitas de irregularidades e judicialização dos resultados das eleições. O magistrado adianta que o voto impresso não representa um mecanismo a mais de auditoria, porque, na verdade, é um risco para o processo eleitoral.

Bolsonaro, de seu lado, chama de Barroso de comunista e ditador e fala até em “convulsão social” no Brasil se o voto impresso não foi implantado. Afirma que o negócio do ministro é eleger Luiz Inácio da Silva. E que o resultado das eleições está acertado no TSE. “Tenho convicção, realmente tem fraude”, diz o presidente. Já o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, prestes a se aposentar, afirma que o sistema de voto eletrônico é sério e visa preservar, acima de tudo, a vontade do eleitor. Marco Aurélio aconselha Bolsonaro a se deitar no divã de um psiquiatra para tentar explicar por que exige essa mudança. Pois é, mais uma crise de palavras e, agora, com a participação do ex-presidiário detido por corrupção, solto por manobras do Supremo. O Brasil é um país que não sabe viver em paz. Não deseja viver em paz. Como é que isso vai terminar? Ninguém sabe responder. Nessa nova crise, muitos defendem o voto impresso, aquele de papel, porque dá para escrever palavrões na cédula, xingando os candidatos com nomes que muitos deles merecem.