Enquanto pede que população fique em casa, governador do Rio promove festinha regada a cerveja e uísque

Dias depois de fazer um apelo para evitar aglomerações no Estado, Cláudio Castro celebrou seu aniversário em Petrópolis com familiares e amigos

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 30/03/2021 12h29 - Atualizado em 30/03/2021 12h39
Daniel Resende/Enquadrar/Estadão ConteúdoCláudio Castro ocupa interinamente a cadeira de governador do Rio de Janeiro desde o afastamento do Wilson Witzel

O pior cínico é aquele que tem cara de bobo. E de cínicos com cara de bobo o Brasil está cheio, está transbordando. O que fazer com um indivíduo que, por uma circunstância, assume interinamente o governo do Estado do Rio de Janeiro e, como tal, comemora seu aniversário com uma bela festa ao meio da pandemia? O governador interino do Rio, Cláudio Castro (PSC), festejou seus 42 anos no domingo, 28, mas o aniversário foi nesta segunda-feira, 29. Antecipou a festa. Até porque uma festa no final de semana é mais animada. E, no domingo, o interino foi para Itaipava, Petrópolis, na Região Serrana. Reuniu os amigos e vamos em frente. É um sujeito que não é um cidadão.  Nunca será. Gente assim pensa que pode tudo. Mas não é assim.

E o que dizer dos sujeitos que compareceram à festa, com suas mulheres, namoradas, filhas, filhos, uma porção de festivos? O que um país como o Brasil pode fazer diante de uma situação assim? Convém dizer que um decreto da prefeitura de Petrópolis proíbe festas e qualquer tipo de aglomeração em área pública ou privada neste tempo em que a Covid-19  já matou mais de 300 mil pessoas. Esse sujeito que ocupa interinamente a cadeira de governador do Rio de Janeiro teve a desfaçatez de, na sexta-feira, 26, fazer um apelo à população, dizendo que atualmente não é hora de fazer festas e aglomerações, nem mesmo ir às praias, alertando que centenas de pessoas estão morrendo na porta dos hospitais, sem leito e sem medicamentos. E referiu-se ao longo feriado de dez dias como enfrentamento à Covid, afirmando que era a hora de todos permanecerem em casa. O indivíduo afirmou ser necessário evitar aglomerações e por isso repetiria, quantas vezes fossem necessárias, que é hora de permanecer recluso.

Falando à TV Globo sobre a festa indecente do governador, regada a uísque e cerveja, uma empregada da casa disse que “estava tudo cheio”. Um convidado acrescentou que ninguém usava máscara e bebeu-se muito. Muita gente bêbada. A maior aglomeração ocorreu nos jardins da mansão.  Festa para ninguém botar defeito, essa do governador interino do Rio de Janeiro, que atende pelo nome de Cláudio Castro e que ocupa o cargo porque Wilson Witzel (PSC) está afastado do cargo por corrupção. A situação do Rio de Janeiro é braba.  É uma loucura. A assessoria de imprensa do interino informou que ele apenas almoçou com a família, sem convidados, mas deixou de dizer que 15 carros estavam estacionados em volta da casa. Como se mente neste país. É demais. Mentira é a linguagem padrão brasileira. Só falamos mentiras.

Nesta segunda-feira, 29, o interino Cláudio Castro usou a rede social para pedir desculpas à população, com uma cara de quem não devia explicação a ninguém. Mesmo assim, pediu desculpas, como se o pedido resolvesse toda a situação. Para essa gente, as pessoas são idiotas, engolem tudo. A Prefeitura de Petrópolis informou que vai notificar o condomínio onde o interino tem sua mansão. O jornal “A Tribuna de Petrópolis” chamou a festa de CastroFolia, nome que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), arrumou para a festa do interino que, nos últimos dias, vinha criticando as restrições determinadas pelo democrata.

Paes afirma que o interino não compreende nada porque estrava pensando na sua micareta de aniversário. O interino segue à risca o que manda Bolsonaro e é amigo do filho presidencial senador Flavio Bolsonaro (Republicanos). Castro pede que a população fique dentro e casa. Já ele reúne os amigos do peito e vai para Petrópolis fazer uma festinha animada, todo mundo livre, leve e solto. O Brasil não pode admitir essa indecência de um indivíduo que não respeita o momento que o país está vivendo, especialmente pelo cargo que ocupa neste momento. Trata-se de um dissimulado. Um esperto. O resto da população é feito de otários ou de doentes que morrem suplicando por um leito num hospital. Para sujeitos assim, 300 mil mortos não significam nada. Ele é ele, e o resto é o resto, só isso. É assim que funciona.