Ernesto Araújo aproveitou o tempo em casa para refletir e decidiu sair batendo em Bolsonaro

Ex-ministro, que tanto problema causou ao país, deve estar machucado porque saiu escorraçado por todo mundo, dentro e fora do governo

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 04/05/2021 15h05 - Atualizado em 04/05/2021 19h14
MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO - 02/03/2021No último sábado, Ernesto Araújo disse que o governo Bolsonaro perdeu a alma e o ideal

Coisa feia. Quem diria? O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo anda por aí falando mal do presidente Jair Bolsonaro. Afirma que Bolsonaro está à frente de um governo sem alma. Quem diria? Deve estar magoado, o ex-ministro que tanto problema causou ao país. Araújo não se conforma por ter sido obrigado a pedir demissão do governo, por pressão dos parlamentares do chamado Centrão. Desolado, o ex-ministro usou seu perfil em uma rede social no sábado, 1º, para criticar o presidente, dizendo que atualmente o governo não tem alma nem ideal. Segundo Araújo, o governo Bolsonaro se transformou numa administração tecnocrática. Ernesto Araújo foi fritado por Bolsonaro durante meses pelos rumos que deu à política internacional do governo durante a pandemia da Covid-19. Quando a coisa perdeu o controle, parlamentares de praticamente todos os partidos, especialmente do Centrão, começaram a pressionar pela demissão do ministro, que nunca soube ao certo o que fazia, com ideias do século 18 mal aplicadas. Pior: obedecia ordens de seu chefe presidente da República. Mas a corda quebra sempre do lado mais fraco.

Até que o ex-ministro suportou bem o massacre de todos os dias, até que se demitiu no dia 29 de março. Aproveitou o tempo dentro de casa não para se proteger do vírus, no qual não acredita, mas para pensar. Refletiu bastante e decidiu sair batendo em Bolsonaro, que também não acredita no vírus, mas tem a vantagem de não acreditar em nada. Nas suas postagens, o ex-ministro afirmou que teria feito avanços, mas a esperança começou a se desmantelar por causa de uma suposta reação ao sistema. Ele usou a palavra “suposta”. Criticou a ideia de Bolsonaro construir uma base parlamentar se aproximando do Centrão, observando que um governo popular, audaz e visionário foi se transformando num grupo de tecnocratas. E o tecnocrata não tem alma nem ideal. Araújo afirmou que o coração do povo foi penhorado pelo sistema, destruindo uma grande nação. Enquanto isso, Bolsonaro se empenhou cada vez mais em construir sua base parlamentar. Disse, também, que as privatizações e a aprovação das reformas não seriam suficientes para mudar o país.

O ex-ministro está bravo e até recorreu ao escritor italiano Giuseppe Tomasi de Lampedusa, que escreveu: “Mudar tudo para que tudo fique igual”. Assinalou, ainda, como se aconselhando o presidente, que nenhuma articulação política vai mudar o Brasil. O Brasil só mudará com a pressão popular. Quem diria? Pois aí está o ex-ministro que antes era o embelezamento do bolo do governo, aquele chantily especial, de repente se põe a falar mal de Bolsonaro, embora observando que o presidente sempre terá o seu apoio para mudar o Brasil, oferecendo seu amor pela liberdade. É uma no cravo e outra na ferradura. Ninguém imaginaria ver o ex-ministro Ernesto Araújo criticando o presidente. O ex-ministro deve estar machucado porque saiu do governo escorraçado por todo mundo, dentro e fora do governo. Chegou num ponto que não dava mais. Bolsonaro não tomou conhecimento das críticas de seu ex-ministro das Relações Exteriores que tanto caso criou na sua gestão. Na verdade, Bolsonaro é igualzinho o PT: não se importa com quem vai caindo pelo caminho.