Falar em terceira via e não lembrar do nome de Ciro Gomes é uma grande covardia

Pedetista é de longe, o dono do melhor e mais coerente discurso da atual disputa, sabe o que fala e é seguro

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 22/07/2022 13h44 - Atualizado em 22/07/2022 13h44
Roberto Casimiro/Estadão Conteúdo Ciro Gomes de mão levantada e sorrindo Ciro Gomes é o candidato do PDT à Presidência da República

Ciro Gomes oficializou nesta quarta-feira, 20, sua candidatura à Presidência da República pelo PDT, na convenção nacional do partido. Ciro está sozinho, sem alianças e nem vice ainda tem. Ele prefere uma mulher. Na verdade verdadeira, ele devia ser a terceira via diante desse cenário que se apresenta ao eleitor brasileiro, sem alternativas e obrigado a engolir uma das duas figuras melancólicas que aí estão. É a exaltação do cinismo. Um é ex-presidiário por corrupção como nunca se viu na história deste país. Outro, insensível, distante, ausente, desumano, que cria caso com ele mesmo ou com a própria sombra. O rei do desmando. 

Ciro Gomes é, de longe, o dono do melhor e mais coerente discurso da atual disputa. Sabe o que fala. É seguro. Os outros dois da polarização estão distante dessa linguagem firme e correta para o Brasil atual. Lula está ainda discursando como se estivesse nos anos 60. Já Bolsonaro não tem nada o que dizer, além dos dissabores que provoca ao país. A convenção do PDT se realizou com muita festa, mas o tom foi de pessimismo. Mesmo assim, mudou o slogan da campanha. Em vez de “Rebeldia da Esperança” passa a ser “Prefiro Ciro”. Invenção do marqueteiro João Santana, o sinistro. A oficialização da candidatura ocorre no momento em que o obsceno PT do réptil fazia de tudo para se juntar a Ciro, com o objetivo de derrotar Bolsonaro já no primeiro turno. Mas o PDT não se envolveu nessa trama. A campanha de Ciro terá como lema “vote em um e se livre dos dois”.

Ciro Gomes quase jogou a toalha. A intenção de votos a ele não sai do lugar, os 8% de todos os anos. Às vezes sai, mas para baixo. Assim não dá mesmo. O candidato do PDT está isolado. Mesmo assim, ainda luta para conseguir palanque nos Estados tentando fortalecer sua candidatura. A questão está mesmo ruim. Em Minas Gerais, por exemplo – só como exemplo -, Ciro não é citado em lugar nenhum. Dono de um discurso firme, não se compreende essa sina. Toda eleição presidencial é a mesma coisa. Tomando como exemplo MG, vendo-se inexistente na eleição presidencial, Ciro passou por cima de seu orgulho e amor próprio e foi procurar um adversário histórico, uma espécie de inimigo cordial, para pedir uma ajuda. Esqueceu tudo que já disse e foi pedir socorro a Aécio Neves, numa história confusa que ainda não se concluiu.

Convém lembrar que Ciro tinha Aécio como “a maior decepção de sua vida política”. Nesta quinta-feira, 21, o PSDB de Minas resolveu apoiar o candidato do PDT, descartando qualquer apoio à senadora Simone Tebet, do MDB, decisão da cúpula nacional tucana. Mas ainda não se sabe direito dessa história repentina. Em troca, Ciro prometeu o apoio do PDT ao candidato tucano ao governo de Minas, Marcus Pestana. Falta agora todos eles se reunirem para discutir o assunto pessoalmente. É uma pena ver Ciro Gomes mendigando apoio. Ciro é aquele político que já brigou com todo mundo e sempre está bem com todos. Seja como for, o cenário atual é humilhante.

Aécio Neves parece que esqueceu as ofensas que recebeu de Ciro. Coisas de dar briga em boteco. Aécio diz que a terceira via às eleições presidenciais devia ser Ciro Gomes e não Simone Tebet, do MDB, que anda por aí sem saber direito o que fazer da vida com seus 2% guardados na bolsa de infortúnios. Convém reproduzir palavras de Aécio, absolutamente válidas. Ele observa que não ter chamado Ciro para as reuniões da terceira via foi um grande erro sem perdão. Como deixar de fora dessa discussão o candidato melhor colocado nas pesquisas eleitorais? Aécio garante que ainda dá tempo de reparar esse erro. Ele tem razão.

Para Aécio, a terceira via com Ciro terá, de verdade, a musculatura necessária que possa enfrentar a polarização desprezível entre Bolsonaro e Lula. O prazo para formalizar coligações vai até 5 de agosto. Alguns dirigentes do PDT dizem que se houver mesmo um acordo nessa questão em MG, será possível ampliá-lo nacionalmente. Ciro Gomes, por seu lado, desconversa. Não quer falar nesse assunto. Está na espera, sem se envolver diretamente, para evitar a humilhação. Mas que a verdade seja dita: falar em terceira via e não lembrar o nome de Ciro é uma grande covardia.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.