Lula vai à Europa e tenta amarrar apoio por se achar imbatível em 2022

No Brasil é assim: o sujeito é preso por corrupção, libertado pela Justiça depois de condenado, consegue ser elegível e se candidata, na certeza de que vencerá

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 17/11/2021 14h07 - Atualizado em 18/11/2021 02h35
EFE/EPA/CHRISTOPHE PETIT TESSONLula discursando durante evento em Paris

Luiz Inácio da Silva fala na Europa como presidente eleito do Brasil. Considerando-se o novo presidente, Lula decidiu fazer uma viagem à Europa para realizar contatos que acha importantes para sua gestão. Pior: boa parte das despesas é paga com dinheiro público, já que Lula, como ex-presidente, tem direito até de levar junto alguns seguranças, além de outras vantagens. No roteiro de Lula, solto da prisão por manobra indecente do Supremo Tribunal Federal, os contatos estão sendo feitos na Alemanha, Bélgica, França e Espanha. É uma campanha internacional. Vai expor suas ideias e já amarrar apoio para seu governo por achar-se imbatível em 2022. No Brasil é assim: o sujeito é preso por corrupção, das maiores do mundo, é libertado pela Justiça depois de condenado, consegue ser elegível e se candidata, na certeza de que vencerá. Mas, convenhamos, Lula pensa assim porque a maioria dos que ainda pensam no país estão vendo de perto os estragos de Bolsonaro e sua conduta como presidente da República, especialmente durante a pandemia, em que virou as costas ao que estava acontecendo e se colocou contra todos os métodos usados no mundo para salvar vidas. Então, está pagando pelo que fez e continua fazendo. Foi o preço: um deputado inexpressivo do baixo clero da Câmara vira presidente da República e revela que não estava preparado para isso. 

Já Luiz Inácio, raposa velha, acostumado a tramoias de todos os tipos, anda agora saltitante e feliz da vida. Lula discute na Europa os problemas do mundo, da América Latina e particularmente do Brasil. Discutir os problemas do mundo… É demais para a cabeça. É demais. E da Europa Luiz Inácio vem pautando o PT, dizendo como o partido deve agir em determinadas situações criadas por Bolsonaro, principalmente na área dos costumes.  Em Berlim, Lula já conversou com Martin Schulz, ex-líder do Partido Social Democrata e ex-presidente do Parlamento Europeu. Nesta segunda-feira, 15, na Bélgica, Lula se reuniu com lideranças social-democratas. E ontem, terça-feira, 16, esteve em Paris, na França, para participar de uma conferência sobre o Brasil no Instituto de Estudos Políticos. Ainda em Paris, Luiz Inácio da Silva recebeu o prêmio “Coragem Política 2021”, concedido pela revista Politique Internationale. Depois se reuniu com a prefeita de Paris, Anne Hidalgo. Na terça-feira, 16, falando no Parlamento Europeu, Lula adiantou estar preparado para assumir a Presidência da República, dizendo que se sente com saúde, preparado e motivado para isso, afirmando, ainda, que Bolsonaro é uma cópia mal feita de Donald Trump

No PT, fala-se que Lula viajou para a Europa a fim de fazer um contraponto com a participação de Bolsonaro no G-20, em Roma, considerada um desastre completo e onde conseguiu apenas dois breves contatos e, de resto, permaneceu isolado, a ponto de preferir ficar na rua promovendo tumultos do que participar das reuniões do G-20, numa demonstração de absoluto despreparo. Tanto que em todos os encontros que vem mantendo na Europa, Lula fala especialmente sobre o desprestígio internacional de Bolsonaro, praticamente ignorado pelos participantes do G-20. O ex-presidiário tem criticado muito a elite brasileira nos encontros. Afirma que a elite do país só sabe que existe fome do Brasil pelos jornais. É uma elite escravista. Tem dito também que independentemente da produção de alimentos no Brasil, o povo só come se tiver dinheiro para comprar comida. Por isso, a fome será sua prioridade de governo. 

E falando já como presidente eleito, Lula assegura que se a elite não estender as mãos para os que têm fome, o Brasil nunca será um país civilizado. Lula deseja voltar da Europa fortalecido internacionalmente. Pelo menos é isso que demonstra. E por isso fez essa viagem para inglês ver. Lula acha que com esse respaldo internacional tudo será muito mais fácil em 2022. É só esperar o dia da eleição e a seguir esperar o dia da posse. Luiz Inácio já age como presidente da República. Mas, na verdade, é assim que acontece em tudo. Onde o governo não manda e está sempre ausente, outro governo toma o lugar. O maior exemplo brasileiro disso é o Rio de Janeiro. Na falta de governo, quem manda no Estado são os traficantes e os milicianos. A cadeira de presidente parece vaga. Então Lula já se sente o dono dela.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.