Morte da Lava Jato mostra que os corruptos sempre vencem no Brasil

Com a ajuda declarada do Supremo Tribunal Federal, caminha-se para anular condenações como as do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 26/02/2021 12h40
Reprodução/ Justiça do Paraná - 13/09/2017O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dá depoimento em interrogatório da Lava Jato

Pelo sentimento de indignação, será sempre bom voltar ao assunto. É difícil pensar na Lava Jato como uma coisa do passado. Mas os espíritos esclarecidos sabem muito bem o que a força-tarefa representou neste país. No entanto, os inimigos são fortes e poderosos. Mandam e desmandam. Mudam até as leis para favorecer a corrupção. Eles conseguiram acabar com a Lava Jato. Os corruptos brasileiros são fortes, especialmente quando têm a ajuda declarada de ministros do Supremo Tribunal Federal, aqueles acostumados a soltar bandidos como se fossem os donos do país. Dá a impressão de que quem de fato governa o Brasil é o STF, não o presidente eleito com os votos da população numa eleição democrática. Agora, caminha-se para simplesmente anular condenações como as do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Anular e ponto final, como se nada tivesse acontecido. É preciso muito descaramento. Mas é assim que funciona.

O primeiro passo foi soltar todos os ladrões e assassinos do país condenados em segunda instância, unicamente para favorecer Lula. Um cenário vergonho, que segue agora para anulação das condenações daquele que traiu a própria vida e ainda insiste em participar das sombras políticas atuais. Sombras, não poderia ser mais apropriado. Afinal, essa é a esquerda brasileira, cujos integrantes, em sua maioria, são psicopatas políticos que somente querem se servir do poder. Eles conseguiram acabar com a força-tarefa de Curitiba, que entrou para a parte civilizada da história brasileira na figura do então juiz Sergio Moro, que decidiu enfrentar os poderosos que sempre fizeram o que bem entenderam neste país sem rumo. Mas o acervo da Lava Jato ainda guarda investigações em diversos setores da vida nacional, envolvendo gente que tem determinado o destino de uma nação, presa fácil dos corruptos que se livrarão de todas as acusações da conduta desprezível de roubar o dinheiro público.

Ainda correm investigações nas áreas como importação de petróleo, contratação de plataforma no exterior e concessão de pedágios. Essas ações já estão na fase de julgamento e envolvem figuras como – sim, ele! – o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ex-senadores Romero Jucá e Valdir Raupp, além de vários empresários, para citar apenas esses nomes manjados na cena criminal do Brasil. A Lava Jato do Paraná chegou a ter 15 procurares. Agora são apenas cinco que pertencem ao Grupo de Ação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), de acordo com a determinação do procurador-geral da República, Augusto Aras, que um dia responderá por sua gestão, se o Brasil tornar-se um país sério, claro. Atualmente, 76 ações penais estão em andamento na 13ª Vara de Justiça Federal de Curitiba. Agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal informam que há centenas de casos a serem ainda apurados. São inquéritos que resultaram de investigações realizadas nos últimos cinco anos.

É triste dizer, mas a maior parte dessas ações não será concluída com prisão. Não. Os tempos são outros. Os corruptos venceram. Na verdade, eles sempre vencem. Estão esparramados com as garras em todos os setores da tal justiça brasileira (com letra minúscula, por favor). São fases de investigações que somam centenas de milhões e até bilhões de reais, tudo roubado. Mas caso um desses corruptos seja preso ainda, o STF solta no outro dia, o tapa na cara costumeiro na população brasileira. Aquele tapa que revela a impunidade reinante com raízes profundas envolvendo a própria justiça, uma espécie de coautora dos crimes praticados. No fundo, nada mais está sendo feito por causa da pandemia, que impede audiências presenciais. Mas se não houvesse pandemia, seria a mesma coisa. Um dos casos mais importantes que aguarda uma decisão é o do Instituto Lula. A denúncia foi feita em 2016 e até hoje não há julgamento nenhum. Há mais de mil inquéritos abertos nos últimos cinco anos que ainda não foram encerrados. Essa informação dá bem a ideia no que o combate à corrupção se transformou. Transformou-se em nada.

O ministro do STF Luis Roberto Barroso tem dito que eventuais excessos da Operação Lava Jato não podem desviar o foco do combate a uma corrupção sistêmica que corrói o Brasil. Várias vezes, Barroso repetiu que atualmente vigora o que ele chama de “operação abafa”, que envolve praticamente todos os setores da vida nacional para pôr fim às operações de combate à corrupção. Tudo vai ser apagado, como se nada tivesse acontecido. Ou então, ficará parecendo que todos os chamados corruptos foram alvo de perseguição. Eles ainda vão virar heróis nacionais. Todos soltos por determinação da Corte Suprema de Justiça do país, como pelo menos tem sido. Numa cerimônia recente no Palácio do Planalto, Bolsonaro informou à “imprensa maravilhosa” do país que ele acabou com a Lava Jato porque não existe mais corrupção no governo. E que isso não seria uma virtude, mas uma obrigação. Naquele momento, o presidente esqueceu – ou deixou de lado – os elogios que sempre fez à força-tarefa na campanha eleitoral. A plateia aplaudiu. Foi um fim melancólico. A Lava Jato acabou no governo Bolsonaro, que tanto prometeu lutar contra os esquemas de desvio de dinheiro. Evidentemente que todos os inquéritos que ainda existem serão esquecidos numa gaveta qualquer da história indecente de um país que parece viver numa escuridão.