Não se sabe o que é pior: as ameaças de Bolsonaro ou Lula e o PT com as mesmas mentiras de sempre

O Brasil está numa encruzilhada: de um lado, a manifestação com o discurso delirante do presidente na Paulista, do outro, um ajuntamento no Anhangabaú com as palavras que só cabem na cabeça dos incautos

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 09/09/2021 14h39
Montagem Jovem Pan - VINCENT BOSSON/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOSão Paulo registrou protestos contra Bolsonaro no Anhangabaú (à esquerda) e a favor do presidente na Paulista (à direita)

O Sete de Setembro ainda está na pauta. A lembrança sempre viva da Pátria Amarga. Muita coisa ainda está por acontecer. Muita coisa não será esquecida assim tão facilmente. As palavras presidenciais nas manifestações foram duras. Digamos que no Sete de Setembro você estivesse na Avenida Paulista e que, em dado momento, você se cansasse de todas as ameaças que eram feitas pelo presidente Bolsonaro. Cansado, digamos, você fosse até o Vale do Anhangabaú, onde a manifestação era contra Bolsonaro, com o PT à frente, como se ainda fosse um partido político sério. De cara, você veria aqueles balões da CUT, vários deles, e toda aquela gente gritando contra tudo. No fundo, a mesma coisa da manifestação da Paulista, pró-Bolsonaro, em que um dos alvos principais era o Supremo Tribunal Federal, com suas decisões descabidas, como se o povo brasileiro fosse um bando de imbecil. Mas não seria fácil encarar no Anhangabaú discursos de Gleisi Hoffman, presidente do PT, de Guilherme Boulos (PSOL) e do menino maluquinho Fernando Haddad (PT). Não seria fácil. Não dá mais para ouvir essa gente, especialmente Lula.

Antes da manifestação, Luiz Inácio da Silva, o que foi solto da cadeia por manobra indecente do Supremo Tribunal Federal, convocou todo mundo para a manifestação contra Bolsonaro no Anhangabaú. Mas ele mesmo não saiu de casa, porque não é louco. Lula não tem coragem, por exemplo, de dar um passeio pelo Viaduto do Chá. Como já disse, ele não é louco. Só convocou os petistas especialmente para a manifestação do Anhangabaú e mais nada, preferiu ficar em casa assistindo pela televisão. O melhor seria falar depois. A presidente da PT, Gleisi Hoffman, explicou que Lula não compareceria porque seria uma ameaça à sua saúde neste período de pandemia e porque ele já tem 75 anos. O melhor seria falar sobre as manifestações, sem participar de nada. E assim, comodamente, foi o que ele fez, dizendo que o papel de um presidente da República é governar o país com sentimento de confiança no presente e no futuro. Luiz Inácio criticou duramente o comportamento de Bolsonaro nas manifestações de Brasília e na Paulista, em São Paulo, dizendo que o objetivo dos discursos que fez era levar uma mensagem de ódio e de ruptura democrática. No fundo, a mesma linguagem de sempre. 

O discurso de Lula, do PT e da esquerda brasileira inteira é aquela mesma conversa dos anos de 1960/70. Não mudou nada. O PT nem estava ainda fundado e a conversa era a mesma. A manifestação no Anhangabaú reuniu os partidos de esquerda. No entanto, mesmo sendo essa esquerda vagabunda que ainda tem Lula como líder, houve uma palavra sensata dos participantes, criticando o negacionismo e as ameaças de golpe de Bolsonaro. O tema do ato no Anhangabaú foi “A vida em primeiro lugar”, o que está correto. A grande maioria dos manifestantes com bandeiras vermelhas e os balões da CUT (ainda se fala na CUT, não é possível!) usava máscara e álcool gel. Havia lá uma barraca distribuindo bananas doadas por agricultores às famílias que passam fome em São Paulo.

Havia no ato do Anhangabaú um grande cartaz com dizeres engraçados: “O golpe de impeachment da Dilma abriu as portas do inferno no Brasil”. É isso. Essa esquerda vagabunda brasileira não sabe fazer autocrítica. Nunca fará. E Luiz Inácio, livre de todos os seus crimes, continuará a fazer discursos para plateias gentis, sem nunca tocar nos escândalos dos governos do PT, especialmente o assalto à Petrobras e a conduta política que levou o Brasil para o fundo do poço. Então, pensando bem, não se sabe o que foi pior, se a manifestação com o discurso delirante de Bolsonaro na Paulista ou se aquele ajuntamento no Vale do Anhangabaú, com as palavras de sempre, que só cabem na cabeça dos incautos. No fundo, um Sete de Setembro do mesmo ódio que somos obrigados a engolir todos os dias. Dos dois lados, a polarização. O Brasil está mesmo numa encruzilhada e não tem como escapar de figuras que não deviam mais existir. Está entre os delírios de alucinados e a mentira eterna do PT, o partido que mais ajuda na angústia brasileira. Não temos saída.