Não se sabe se Bolsonaro precisa de um marqueteiro ou de um mágico para as eleições 2022

Presidente anda inconformado com seus índices nas pesquisas eleitorais

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 18/01/2022 13h38
Alan Santos/PR Jair Bolsonaro Presidente Jair Bolsonaro discursando

Sempre em desvantagem nas pesquisas de intenção de votos, nunca ultrapassando 25%, o presidente Jair Bolsonaro começa a pensar no assunto com maior atenção. Decidiu formar um comitê de campanha para a reeleição, contando com os auxiliares mais próximos. Até agora, Bolsonaro mostrava-se despreocupado com esses números, mas está mudando de ideia. O presidente pensa até em ter um marqueteiro de campanha, o que nunca fez parte de seus planos. Mas as coisas mudam. Os primeiros objetivos do comitê já foram escolhidos. A ordem é realizar as tarefas do grupo, que incluem interlocução política, coordenação de palanques estaduais e análise das pesquisas. Inicialmente, o comitê da campanha para a reeleição está formado pelo senador Flávio Bolsonaro, Valdemar da Costa Neto, o dono do PL, Ciro Nogueira, ministro chefe da Casa Civil e um dos caciques do PP, e Onyx Lorenzoni, ministro do Trabalho.

Bolsonaro anda meio inconformado com seus índices nas pesquisas eleitorais. Baseia-se nas suas aparições públicas, em qualquer lugar, onde é saudado por centenas de apoiadores. Já Luiz Inácio da Silva, que aparece sempre em 1º lugar nas pesquisas, nunca sai às ruas porque tem medo de ser chamado de ladrão e só fala a plateias favoráveis. Bolsonaro acredita que alguma coisa está errada. Por isso montou o comitê que já está trabalhando pela reeleição. A liderança do comitê foi entregue ao senador Flávio Bolsonaro, o que foi considerado natural pelos outros integrantes, por ser filho e a pessoa de maior confiança do presidente e por ter ajudado nas negociações com partidos da base atual do governo. O mensaleiro Valdemar da Costa Neto se encarregará da questão dos palanques estaduais. O ministro Ciro Nogueira analisará as pesquisas eleitorais e a seguir discutirá os números com o presidente, com interpretações que possam ser exploradas de maneira positiva. Onyx Lorenzoni será mantido no núcleo duro do governo e não poderá trabalhar muito no comitê porque será candidato ao governo do Rio Grande do Sul.

O grupo tem discutido a ideia de contratar um marqueteiro para a campanha com a incumbência de retocar a imagem de Bolsonaro, que não é boa para a grande maioria do eleitorado, especialmente por sua conduta durante a pandemia e sua posição já declarada de antivacina. O comitê entende que a disputada será mais ferrenha nas redes sociais, o que promete um vale-tudo total. A ideia de um marqueteiro surgiu nas primeiras reuniões do comitê. Bolsonaro concordou em ser apresentado ao estrategista político de Pernambuco, Paulo Moura, que apresentou suas credenciais, dizendo já ter feito 116 campanhas eleitorais, 101 delas vitoriosas, o que deixou o presidente impressionado. O encontro ocorreu no Palácio da Alvorada e o marqueteiro foi apresentado pelo ministro do Turismo Gilson Machado. No entanto, Bolsonaro está meio desconfiado, porque muitas das informações do trabalho do estrategista estão sendo desmentidas.

O marqueteiro chegou com um currículo inchado demais. De qualquer maneira, a figura impressionou o presidente, tanto que já se reuniu com ele para uma conversa no Palácio do Planalto. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, Paulo Moura fez apenas 5 campanhas eleitorais, tendo vencido apenas 1, mas ele observa que nem todas as campanhas são assinadas, por isso essa diferença. Já as informações da empresa do marqueteiro, a Exata Inteligência Política, confirmam os dados que forneceu ao presidente. Bolsonaro ficou impressionado, mas não fez proposta nenhuma. Prefere esperar as primeiras informações de seu comitê para depois agir. De gente mentirosa o país está cheio. De qualquer maneira, a ideia agradou o presidente. Todo mundo tem marqueteiro e é possível que ele siga esse mesmo caminho. A dúvida é saber se Bolsonaro precisa de um marqueteiro ou de um mágico. 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.