Não teremos governo em 2022, apenas conversa e negociações, mas tudo na surdina

Bolsonaro precisa resolver a reforma ministerial até março e escolher um novo vice para sua chapa; além disso, chefes das pastas organizam suas possíveis candidaturas

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 04/01/2022 13h08
Roberto Stuckert Filho/PREleições deste ano estão programadas para acontecer em outubro

Depois das férias em Santa Catarina e assim que tiver alta no hospital onde está internado devido a uma obstrução intestinal, o presidente Bolsonaro começará a pensar em duas coisas que precisar resolver sem demora: 1. Poderá negociar 11 ministérios na reforma, enfrentando já forte pressão do Centrão, que deseja tudo; e 2. Livrar-se de vez do seu casamento com o vice-presidente general Hamilton Mourão e encontrar um novo nome para a chapa. Vários integrantes do primeiro escalão do governo vão deixar seus cargos para concorrer a governador, senador e deputado por seus Estados. Sendo assim, a reforma ministerial tem de ser feita rapidamente, o que demandará muitos acordos e negociações, daquelas que não acabam nunca. Tudo isso tem de ser feito até final de março. O tempo é pouco, embora 2022 tenha apenas começado. Será a maior reforma ministerial desde que Bolsonaro chegou ao Palácio do Planalto.

A reforma tem de sair até final de março, mas as articulações já estão sendo feitas e, como não podia de deixar de ser, num clima de tensão. Quem afinal ficará com os cargos dos ministros que vão deixar o governo? Os ministros trabalham para emplacar um nome de sua confiança que pertence à sua própria equipe. Já os partidos políticos aliados de Bolsonaro se movimentam ferozmente com o objetivo de aumentar seu poder de decisão no governo. Todas essas trocas vão depender de como estará o presidente Bolsonaro nas próximas pesquisas de intenção de voto. No final, é tudo um jogo. E essa gente não gosta de perder. Jogam para ganhar. Se Bolsonaro estiver forte é uma coisa, se estiver fraco é outra completamente diferente. Quer dizer: essa gente não é séria. No fundo, são os grandes oportunistas de sempre. Bolsonaro sabe disso e vai jogar o jogo a ser jogado.

Três ministros vão participar das eleições visando o cargo de governador: Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), em São Paulo; João Roma (Cidadania), na Bahia; e Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência), no Rio Grande do Sul. Outros miram o Senado e a Câmara. Até a ministra Damares Alves, da Mulher, Família e Direitos Humanos pensa em ser candidata à Câmara Federal, o mesmo ocorrendo com o excelentíssimo ministro da Saúde, doutor Marcelo Queiroga, que pretende ser deputado. O presidente está pedindo a toda essa gente do governo que sugiram nomes para ocupar os cargos que deixarão. Mas o presidente já deixou claro que poderá negociar os cargos em troca de apoio na eleição presidencial.

E há, ainda, a questão da escolha do nome do vice-presidente na chapa de Bolsonaro. O general Hamilton Mourão não tem nenhuma chance de formar chapa, como foi em 2018. Bolsonaro quer ver Mourão de longe e Mourão é um fantasma que anda pelo Palácio do Planalto sem ter o que fazer da vida. Só para dar a ideia desse relacionamento, basta dizer que em 2021 Bolsonaro e Mourão conversaram apenas duas vezes. Nessa questão, o presidente do PL, mensaleiro Valdemar da Costa Neto, tem aconselhado Bolsonaro a formar sua nova chapa com um militar. O novo ano já começou a caráter. Todo mundo se reunindo tratando desse assunto que já está na pauta. Significa que este é um ano em que não haverá governo. Só conversa e negociações. Tudo na surdina. E assim o Brasil vai cumprindo o seu destino de sempre.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.