Num país que falta dinheiro para tudo, a prestação de contas passa batido

Despesas do presidente da Caixa estão sendo investigadas pelo Tribunal de Contas da União e pelo Ministério Público Federal, segundo jornal

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 09/11/2021 13h46
Edu Guimarães/Estadão ConteúdoPedro Guimarães é presidente da Caixa desde janeiro de 2019

Vida boa tem o presidente da Caixa Econômica Federal, o Pedro Guimarães. As coisas mais contundentes contra o Brasil ocorrem nos subterrâneos do poder, nos chamados escalões inferiores do governo. A gastança é uma espécie de crime em que aproveitadores se valem de seu cargo e fazem o que bem entender. A prestação de contas geralmente passa batido. Ninguém examina nada. Um dos campeões desse abuso é presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. É um indivíduo que aproveita bem o seu momento. Dá a entender que está seguindo o que afirma o ministro da Economia, Paulo Guedes: “Mais Brasil, menos Brasília”. Ele assumiu a Caixa em janeiro de 2019 e, até setembro deste ano, Guimarães viajou 202 vezes pelo Brasil, gastando R$ 2,75 milhões em passagens e diárias, conforme mostra reportagem do jornal O Globo. Para um país rico como o Brasil, é pouco dinheiro. E depois, o Guimarães está cumprindo o seu dever de ser um patriota em serviço da pátria. A cada 5 dias ele escolhe um lugar para viajar. Já visitou 101 cidades brasileiras. 

As despesas estão sendo investigadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo Ministério Público Federal (MPF). Querem saber onde Guimarães gasta tanto dinheiro do governo. E porquê gasta. Os valores das viagens foram fornecidos pela própria Caixa por meio da Lei de Acesso à Informação ao O Globo. Até agora, não se sabe ao certo quantos acompanhantes o Guimarães leva nas suas viagens. A Caixa dá a informação, mas não especifica os gastos. Quanto gastou com avião? Quanto gastou com hotel? Quanto gastou em restaurantes? Guimarães viajou 49 vezes para São Paulo e 17 vezes para o Rio de Janeiro. Viajou, ainda, 3 vezes para Nova York para reunião com investidores. 

Há informações de que Guimarães teria viajado para lugares que não fazem sentido algum para o governo e para a própria Caixa. A viagem mais cara de Guimarães foi para Itapipoca, no Ceará, e Oeiras, no Piauí, no dia 15 de outubro de 2020. No seu relatório, Guimarães explicou que foi cumprir agendas institucionais com o objetivo de entender as peculiaridades locais do banco. Dizem as más línguas de Brasília, até mesmo de gente ligada ao governo, que Guimarães está preparando o seu terreno porque pretende ser candidato a algum cargo em 2022. Somando tudo, repetindo, de janeiro de 2019 até setembro deste ano, Guimarães gastou R$ 2,75 milhões do governo com suas viagens. Um dinheiro que, na verdade, o país não tem. Falta dinheiro para tudo. O próprio presidente está sempre reclamando e nem sabe como viabilizar o Auxílio Brasil, que substituirá o Bolsa Família, por falta de recursos. Parece faltar dinheiro para todo mundo, menos para Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal. De onde vem tanto dinheiro para suas viagens ele vai ter de explicar. É o mínimo que o país espera. 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.