Para os negacionistas, é tudo ilusão de ótica e não existe nada do que está acontecendo no mundo

Para ir ao encontro de admiradores, Bolsonaro mergulhou no mar como um atleta olímpico, digno de uma medalha de ouro no alto do pódio dos grandes campeões

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 04/01/2021 16h45
ReproduçãoNo dia 1º deste ano, Bolsonaro fez um passeio de lancha na Praia Grande, nadou até a praia e causou aglomeração de apoiadores

Guardo imagens marcantes do ano da pandemia, 2020, que já foi tarde. Mas a pandemia tem adeptos e eles estão por aí com essa doutrina nefasta do negacionismo. Os pandêmicos negam a tudo. Não existe nada do que está acontecendo no mundo atualmente. Tudo ilusão de ótica. Uma das imagens pandêmicas que guardo de 2020 aconteceu exatamente no último dia de 2020. Não consigo esquecer aquele mergulho do presidente Jair Bolsonaro, como um atleta olímpico, digno de uma medalha de ouro no alto do pódio dos grandes campeões. Bolsonaro mergulhou do barco onde estava, na Praia Grande, litoral de São Paulo, e os seguranças desesperados mergulharam a seguir para proteger o presidente que não precisa de proteção de ninguém. Em braçadas largas, dos grandes nadadores do mundo, o presidente se aproximou de seus admiradores à beira da praia, gritando seu nome numa saudação digna de entrar para os anais da história brasileira. Foi uma aglomeração festiva, de muitos abraços. Eu acho, sinceramente, que dizer que o superpresidente mergulhou na Praia Grande é desmerecer esse feito extraordinário para o mundo. Na verdade, Bolsonaro mergulhou no Oceano Atlântico.

O presidente é mesmo um verdadeiro mito. Alguns seguranças, por seu lado, se apalpavam para ver se ainda estavam vivos. E eis que de repente Bolsonaro decidiu voltar ao barco com braçadas elegantes, como se fosse um peixe dançando uma valsa de Strauss, braços longos vencendo a distância com extrema competência esportiva, deixando os pobres dos seguranças para trás, alguns desesperados engolindo água. Uma imagem soberba do ano de 2020. E 2021 será o ano das Olimpíadas no Japão. Bolsonaro pode ser um representante brasileiro, fazendo parte da equipe de nadadores. Será uma certeza de medalha. Na verdade, um superpresidente, vencedor e herói nacional em várias modalidades. Só não o chamo de Super-Homem porque o ator Christopher Reeve, embora morto, pode achar ruim. Também guardo aquela imagem das manifestações em Brasília contra a democracia, com aquelas faixas pedindo o regime militar de volta, o fechamento do Congresso e do STF. Numa daquelas tardes, o presidente deu aulas de equitação ao montar num cavalo e cavalgar saltitante diante da turba, com o animal ofegante a obedecer as rédeas do seu cavaleiro com os cabelos ao vento, destemido e altivo, revelando aos brasileiros seus dotes. Mas não foi só, há ainda outras imagens do superpresidente com seu jet ski no lago de Paranoá, com manobras de um verdadeiro campeão sobre o veículo náutico que sempre inspira corações sensíveis a pensar em provas incríveis das quais só participam os maiores e melhores do mundo, caso do presidente brasileiro que pilota a moto aquática como um mestre do equipamento tão difícil de conduzir. Difícil para os adversários, não para o presidente, preparado para esse esporte que exige força e inteligência, como aliás demonstrou no mergulho mencionado no início deste texto. 

Mas temos ainda as motos, em que o presidente revela um domínio surpreendente sobre duas rodas. Provocaria inveja ao ator Steve McQueen, um grande campeão do motociclismo, que ele demonstrou no filme “A Grande Escapada”, um dos seus maiores sucessos no cinema. Steve não aceitava que seus papeis mais perigosos fossem interpretados por dublês. Morreu em 1990, com 50 anos. Tinha 120 motos. No filme “A Grande Escapada”, Steve deu um show à parte, saltando com a moto sobre uma cerca de arame farpado ao fugir de um campo de prisioneiros. O presidente Bolsonaro faria melhor, sendo o supercampeão que é em tantas modalidades. Agora o superpresidente pretende saltar de paraquedas, para revelar seus superpoderes ao país. Será um salto normal, mas, certamente, inventará manobras no ar que deixarão o Brasil de queixo caído. Para falar a verdade, o superpresidente é capaz de saltar de paraquedas sem o paraquedas. Poderá simplesmente pular do avião e já próximo do solo sairá voando como um pássaro. São os superpoderes do presidente brasileiro.