Polarização entre Lula e Bolsonaro revela que há muita violência por vir

No domingo, petista foi morto na própria festa de aniversário; quem acha que o Brasil não está no caminho da barbárie precisa olhar ao redor

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 11/07/2022 18h04
Reprodução/Redes Sociais policial atira contra guarda municipal em festa Festa de aniversário com temática petista terminou em troca de tiros

A situação brasileira pré-eleição está perdendo o controle a caminho da barbárie. É sempre bom dizer que as eleições de outubro estão ameaçadas. Quem acha a afirmação um exagero devia pensar melhor nas coisas que estão acontecendo. Os ânimos se acirram cada vez mais, e a polarização entre Bolsonaro e Lula está revelando que há muita violência por vir. Os aliados de ambos os lados não se contêm. As brigas violentas já são constantes. Neste final de semana, uma pessoa foi assassinada numa discussão política. Um militante do PT foi morto a tiros na festa de seu aniversário por um suposto defensor de Bolsonaro, que também foi atingido e está hospitalizado, em estado grave. Trata-se, sim, de um crime político. Vai de mal a pior. Lula, por seu lado, quer na verdade que o país pegue fogo. A mesma coisa faz Bolsonaro com seu discurso constante contra o processo eleitoral. Não vai ficar nisso, infelizmente. O assassinato nesta madrugada de domingo, 10, representa um alerta para o que está por acontecer a este país em processo de desmando total.

O guarda municipal Marcello Arruda, ex-candidato a vice-prefeito na chapa do PT em Foz do Iguaçu, em 2020, e tesoureiro do partido no município, comemorava seu aniversário com slogans petistas e bandeiras vermelhas. Mas Jorge José da Rocha Guaranho não gostou, interrompeu a festa e, de acordo com a polícia, atirou duas vezes em Arruda. Mesmo ferido, o petista revidou, atingindo o agressor. A festa estava sendo realizada na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu, com muitas fotos de Lula e cartazes de propaganda do PT. O defensor de Bolsonaro, policial penal, estava com a esposa e uma filha de 1 ano. Segundo testemunhas, parou o carro, ofendeu e fez ameaças aos presentes. A seguir, levou a esposa e a filha para casa e voltou sozinho, disposto a acabar com a festa. E foi assim: deu dois tiros no petista que, mesmo ferido, baleou o agressor.

De acordo com as testemunhas, o policial penal defensor do presidente entrou na festa com arma na mão e gritou: “Aqui é Bolsonaro!”. E atirou. Na manhã do domingo, 10, os atores políticos do país se manifestaram, incluindo Bolsonaro e Lula. O PT postou nas redes sociais que o domingo foi um “dia trágico para o país”. E ainda: “Violência bolsonarista: Líder do PT em Foz do Iguaçu é assassinado”. Assinada pela deputada Gleisi Hoffmann, presidente nacional da legenda, o partido divulgou uma nota em que Arruda foi chamado de herói porque salvou inúmeras vidas da fúria do fascista. Já Lula chamou o bolsonarista de “intolerante”, dizendo que isso “é resultado do ódio estimulado no país por um presidente irresponsável”.

Bolsonaro só se manifestou na noite de domingo, dizendo que dispensa apoio que venha da violência. O PT cobrou medidas efetivas da segurança pública, fazendo um alerta ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal para uma situação que começa a se agravar. Infelizmente será assim mesmo. A situação está cada vez mais tensa. É de se imaginar o que ocorrerá quando a campanha eleitoral de fato começar, com ofensas partindo de todos os lados. No fundo, esses que estão lamentando o crime, particularmente Bolsonaro e Lula, são exatamente os que, todos os dias, fazem declarações que só levam este país para a violência. Os dois lados são movidos pelo ódio. Lula só discursa demonstrando a quem quiser ver uma raiva cada vez maior. E Bolsonaro só se manifesta fazendo ameaças, como se o Brasil fosse um país de maricas.

Outro exemplo dessa violência ocorreu na noite de sábado, 9, quando Bolsonaro estava em São Paulo para participar da Marcha para Jesus no dia seguinte. Ele resolveu andar pelas ruas do bairro do Paraíso junto com as torcidas organizadas dos times de futebol paulista, que reúne todo tipo de criminosos nos seus quadros associativos. Quando o presidente estava à procura de uma pizzaria, entrou em ação um grande número de petistas, provocando uma briga generalizada. Não terminou em tragédia por um acaso. É nisso que dá um presidente da República andar à noite com uma turba à procura de uma pizzaria, como se estivesse em Nova York. As autoridades — se é que existem — precisam agir. A situação se agrava. Ninguém sabe se de fato vai haver eleição. Mas todo mundo sabe que haverá uma guerra no final do ano no Brasil. 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.