Políticos dizem que ser presidente é muito sacrifício, mas todos querem se candidatar e tirar uma casquinha

Além dos pré-candidatos do PSDB, que ainda vão fazer uma prévia, pelo menos sete candidatos estão na relação de salvadores da pátria, são todos candidatos a heróis

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 22/10/2021 15h05
Arquivo/Agência Brasil Fachada do Palácio do Planalto em Brasília no entardecer As próximas eleições para a Presidência da República ocorrem em outubro de 2022

Todo mundo quer governar o Brasil. Todos eles dizem que ser presidente é muito sacrifício. Mas eles estão dispostos a se sacrificar pela pátria. Todo mundo é candidato à Presidência da República em 2022. E todos são verdadeiros santos que prometem milagres a um país cansado de mentiras. Tem candidato demais e povo de menos. Ser presidente da República deve ser uma experiência ótima. Por isso tanta gente se digladia para sair candidato. Todos querem tirar uma casquinha do país. Além dos pré-candidatos do PSDB, que ainda vão fazer uma prévia, pelo menos sete candidatos estão na relação de salvadores da pátria. São todos candidatos a heróis. As prévias internas do PSDB, que nunca se entendeu em nada, contam com os nomes de João Doria, Arthur Virgílio e Eduardo Leite. A um ano da eleição presidencial, políticos e partidos articulam alianças. O adversário número 1 é Bolsonaro, depois vem Luiz Inácio da Silva. Mas, no fundo, é tirar esses dois do páreo.

Nas pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente e ex-presidiário por corrupção, Luiz Inácio da Silva, continua na frente de Bolsonaro. Os institutos de pesquisas apresentam números não confiáveis. Luiz Inácio, por exemplo, já está falando como presidente eleito. Já tem até os nomes dos seus ministros. Já Bolsonaro segue em segundo nessa lista das pesquisas, apesar do desastre e do descaso de sua atuação na pandemia, em que ignorou tudo o que dizia a ciência e botou goela abaixo da população medicamentos sem nenhuma eficácia. Está ainda em segundo, apesar de seu deboche com as mortes pela Covid e tantos outros problemas que não tiveram a sensibilidade e habilidade de tratamento. Bolsonaro sempre preferiu passear de moto. Luiz Inácio da Silva decidiu que agora o melhor é atacar Ciro Gomes, do PDT, o que faz por meio das redes sociais. Ciro Gomes faz o mesmo e envolve na discussão até a figura da ex-presidente Dilma Rousseff, que deu o empurrão final do Brasil para o abismo, até ser dispensada do cargo. Gente da esquerda que se recusa a votar em Lula tem alternativa de votar em Ciro Gomes, que parece estar correndo por fora pela quarta vez.

Ciro Gomes não quer discutir qualquer tipo de união entre partidos. Isso está fora de cogitação. No que diz respeito a Lula, o apoio do PCdoB é certo, desde que Manuela D’Ávila seja indicada como vice-presidente da chapa. O PSOL adianta que não apresentará candidato, mas prefere ficar mais perto de Lula. O PSB, que se afastou de Lula, está voltando, mas quer também indicar o candidato a vice. Já o presidente Jair Bolsonaro ainda não encontrou um partido para chamar de seu. O presidente quer um partido em que possa mandar em tudo, o que não é fácil. Neste momento de trégua, ele está cada vez mais próximo do PP, que é o partido do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. Nessa parada está ainda o PTB, com o presidente Roberto Jefferson preso por atitudes antidemocráticas. O PSD de Gilberto Kassab ainda anda à procura de um nome que seria a chamada terceira via, talvez o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Há ainda outros nomes, como o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e a senadora Simone Tebet, os dois do MDB. Estão na espera. Mas os que lidam com esse emaranhado de informações dizem que a terceira via, se houver, será o ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que está articulando em silêncio, sem alarde. Mas Moro só entra nisso na certeza. Caso contrário, poderá disputar o Senado. Luiz Inácio da Silva vem se fingindo de bom democrata, o que ele não é. Mas tem perdido essa calma fingida com os ataques de Ciro Gomes, que sabe muito e bate no fígado. Lula reage, mas sem muita convicção, e diz que Ciro Gomes deve estar sofrendo de sequelas da Covid-19. Na verdade, Lula não quer conversa séria com ninguém, especialmente porque os adversários sempre  lembram do “mensalão” e do assalto aos cofres da Petrobras. A esta altura, todo mundo é santo. Todos farão milagres. Aos fiéis restam acender suas velas. Os santos de plantão estão armando. No fundo, eleição no Brasil mais parece uma cilada. Todo mundo quer governar o Brasil. Mas os nomes são aqueles de sempre. Eles não desaparecem nunca.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.