Qual será o próximo problema de Bolsonaro com o TSE?

Presidente tem feito seguidas críticas à Justiça Eleitoral e não sossegou nem após Edson Fachin colocar à sua disposição os questionamentos e sugestões das Forças Armadas para o pleito

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 09/05/2022 14h11
Isac Nóbrega/PR - 07/05/2022 Close em Jair Bolsonaro falando ao microfone em evento O presidente Jair Bolsonaro é crítico das medidas do TSE para as eleições deste ano

É de se perguntar ao leitor se ele acredita que as Forças Armadas farão uma auditoria dos votos das eleições de outubro, incluindo nisso uma apuração paralela, com ajuda de uma empresa a ser contratada pelo governo. Isso não cabe na cabeça de ninguém. Ou cabe apenas na cabeça daqueles que querem tumultuar as eleições. O presidente Jair Bolsonaro não dá trégua para ninguém. Algumas questões que ele põe na cabeça acabam por se transformar em fixação. Nem cloroquina melhora. É um doente irrecuperável.

Na sua live de quinta-feira, 5, ele voltou ao ataque em tom de ameaça. Ameaça mesmo. O que significa essa cara de poucos amigos? Ele vai explodir o Brasil? Vai fazer o quê? Além de tudo, esse povo tem suportar cara feia de presidente da República. Bolsonaro fez, mais uma vez, um ataque raivoso contra o processo de eleição no país. Adiantou que seu partido, o PL do mensaleiro Valdemar da Costa Neto, vai contratar uma “empresa de ponta” para fazer a auditoria das eleições de outubro.  Mas o trabalho será feito antes das eleições. Se a 30 ou 40 dias do pleito a empresa compreender que a auditoria não será possível, ela desiste. “Olha a que pontos chegamos”, disse Bolsonaro, como se estivesse sendo derrotado numa batalha. E acrescentou que os militares não vão fazer apenas o papel de chancelar o processo eleitoral e participar como espectador. Isso nem pensar.

O Tribunal Superior Eleitoral tem evitado comentar as provocações do presidente para não complicar mais o ambiente. Alguns ministros do TSE afirmam que não querem aumentar e agravar esse tom beligerante que deseja Bolsonaro. Existem leis e até resoluções do próprio tribunal que permitem auditorias contratadas por partidos até 12 meses antes das eleições. Depois desse tempo, não pode mais. Mas Bolsonaro insiste. Ao mesmo tempo, o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, queria que a Justiça Eleitoral divulgasse os questionamentos e sugestões das Forças Armadas. Bolsonaro também insistia nisso. Por que o TSE não divulga as sugestões dos militares para o processo eleitoral?, perguntava sempre.  Ele garante que as propostas vão revelar as possibilidades de fraude. Por isso, essas sugestões têm que ser reveladas, em nome da transparência.

Na sua live, o presidente afirmou que não está duvidando das eleições. “Quero deixar isso bem claro”, disse ele, observando que suas palavras não significam atacar a democracia. Ele adiantou que as Forças Armadas constataram “centenas de vulnerabilidades” no processo eleitoral. “Centenas de vulnerabilidades”, repetiu. Disse que as propostas foram feitas “para tapar todos esses buracos e fechar essa peneira”. O presidente declarou que faz já bastante tempo que o TSE não se manifesta sobre o assunto. Prefere ficar em silêncio. Bolsonaro afirma que o ministro da Defesa tem o dever de divulgar essas sugestões ao país. Mas o tribunal carimbou todo o material como “documentação confidencial”. Sempre em tom de ameaça, Bolsonaro questionou a razão que levou o TSE a tornar essas informações sigilosas. E repetiu que os militares não serão meros coadjuvantes nas eleições, com o papel de apenas chancelar os resultados das urnas. Não vai ser assim. “Se as urnas são inexpugnáveis, por que toda essa preocupação?”, perguntou o presidente. Salientou que o país dispõe de centenas de militares com profundo conhecimento em cibernética, formados nas maiores universidades do Brasil. Foi mais uma cobrança.  Mais uma. E cada vez num tom acima do normal.

Ocorre que na noite de sexta-feira, 6, o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, afirmou que não se opõe a divulgar esses documentos cobrados por Bolsonaro. E colocou todo o material à disposição do Ministério da Defesa para divulgar como quiser. Tirou o carimbo de “documentação confidencial” e colocou tudo à disposição do presidente. Pode pegar quando quiser. Por essa o presidente não esperava. Isso acabou com as reclamações e críticas de Bolsonaro? Nem pensar. Em pouco tempo, ele arrumará outro problema com o TSE. No fundo, tudo indica que a ordem é inviabilizar as eleições de outubro.  Não é exagero dizer que essa discussão já passou do ponto. De repente, o mês de outubro será apagado do calendário brasileiro e, junto com outubro, as eleições ficarão para depois.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.