Quem vai resolver o impasse de Michelle Bolsonaro na campanha eleitoral do presidente?

Primeira-dama ainda não gravou nenhuma inserção partidária para as eleições 2022; equipe de marketing contava com ela para ajudar Bolsonaro a reverter sua rejeição com o eleitorado feminino

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 29/06/2022 10h15
EDU CHAVES/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Michelle Bolsonaro Michelle Bolsonaro ainda não participou de nenhuma gravação das inserções partidárias do presidente

A primeira-dama Michelle Bolsonaro não está a fim de participar da campanha eleitoral do marido presidente. “Não está a fim” parece um termo deselegante. Muito pesado. “Não quer?”, “Não deseja?”. Seja lá o que for, a informação é essa: Michelle não está a fim de participar da campanha de Bolsonaro. A decisão da primeira-dama causou preocupação na equipe que cuida da campanha. Os marqueteiros contavam com a presença de Michelle, especialmente para enfrentar a rejeição que o presidente tem no eleitorado feminino, particularmente entre as evangélicas. Esse negócio de posar de ‘machão’ toda hora não deu certo. Numa primeira vez pode até parecer engraçado, mas depois cansa. Ninguém gosta de brutalização, que é a marca registrada do presidente da República. A equipe da campanha inicialmente pensava gravar 10 das 40 inserções partidárias do PL, o partido de Bolsonaro. Michelle não gravou nenhuma. Pediram então ajuda ao presidente, mas ele foi claro ao dizer que não se meteria nesse assunto. O problema é da mulher dele, não dele. E o que ele poderá fazer? Se ela não quer, ponto final. Mas Bolsonaro não gostou da decisão da esposa primeira-dama do país. No entanto, ficou na sua. Acontece que o problema teve um impacto muito negativo na cúpula da campanha. Ninguém é louco de reclamar, mas a situação não é boa.

No inicio de junho, Michelle desmarcou uma gravação, quando já estava tudo preparado com um belo cenário sugerindo uma linda mensagem de paz. Mas na última hora, Michelle desmarcou e sequer indicou outra data para a gravação. O resultado foi que o mês de junho está no fim e Michelle não apareceu em inserção nenhuma. A equipe está agoniada e Bolsonaro se nega a entrar nessa história. Mesmo assim, espera-se que Michelle grave alguma coisa para a campanha e, se gravar, aparecerá somente em agosto. Em julho não dá mais tempo. Como observa a colunista da UOL Thais Oyama, a percepção da população é que Bolsonaro é o principal responsável pela alta dos preços no Brasil e que a decisão de Michelle de não participar da campanha somam um fato que pode ser fatal para o presidente. Significa que essa percepção da população pode se cristalizar e que as ideias de Bolsonaro não funcionam mais,  achando que poderá resolver todos os problemas com seus discursos de sempre, atribuindo a terceiros a culpa pelos desmandos brasileiros. Não funciona mais. Funcionou por um período curto, mas as pessoas  estão percebendo que não é bem assim. Sobre a inflação, Bolsonaro já pôs a culpa na Ucrânia. Aí não dá mesmo.

O grande problema é que a equipe da campanha tinha em Michelle um trunfo para vencer barreiras da rejeição ao marido dela. E, de repente, esse trunfo simplesmente desapareceu. Michelle não está a fim mesmo de fazer nada. Já os irmãos senador Flávio Bolsonaro (PL) e Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro (Republicanos), divergem publicamente sobre o que a equipe de campanha está colocando na televisão. Flávio elogia, Carlos critica até com xingamentos, chegando a dizer que continuará fazendo o que bem entende nas redes sociais e que “chega desse papo de marketing”. Já Michelle, que chegou a se filiar ao PL, só observa, à distância. Os aliados de Bolsonaro se preocupam cada vez mais com a ausência da primeira-dama na campanha. Como evangélica, ela ajudaria a reforçar os laços com os religiosos. Michelle tem até viajado com seu marido, o que estava previsto pela equipe da campanha eleitoral. O que ocorre de fato ninguém sabe. Gravar ela não vai. Ou não está a fim. Quem vai resolver isso se nem Bolsonaro se atreve?

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.