Relação entre Bolsonaro e Centrão começa a sofrer os primeiros abalos

Devido ao índice de rejeição de Bolsonaro mostrado nas pesquisas eleitorais, parlamentares pressionam governo a elevar o Auxílio Brasil

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 22/12/2021 14h20
José Dias/PRPresidente deve tentar a reeleição em 2022

O amor entre Bolsonaro e o Centrão começa a sofrer os primeiros abalos. Já não existe tanto afeto nem tanto amor para dar como há algum tempo. Todo mundo sabe que o amor não é para sempre, especialmente os poetas, que são seres perdidos pelas ruas sem saber nunca para onde ir. O Centrão já não sente tanto amor pelo presidente e o presidente começa a ter uma certa dor que até há pouco não sentia. O motivo dessa rusga amorosa é a rejeição a Bolsonaro nas pesquisas eleitorais. O índice chega a 55%. É demais. Algumas pesquisas revelam 60%. Com uma rejeição assim não dá para eleger nem o síndico da maloca. Diante disso, o que vem fazendo grande parte do Centrão, esse amontoado de deputados que sempre manda nas coisas todas e acaba dando ordens ao governo? Os parlamentares aliados vem pressionando Bolsonaro a aumentar mais o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600. Até o Valdemar da Costa Neto, o dono do PL, ao qual Bolsonaro se filiou, vem defendendo o aumento do Auxílio. Entende ser essa a única forma de baixar a rejeição.

Valdemar vem agindo nos bastidores, sem falar com o presidente. O Centrão observa que se esse Auxílio não aumentar para R$ 600, Bolsonaro não será um candidato competitivo em 2022. Vai chegar às eleições caindo aos pedaços, enquanto Sergio Moro (Podemos) vai tirando seus votos. Luiz Inácio, o ex-presidiário por corrupção, também é beneficiário desses votos que estão voando de Bolsonaro. Isso significa que o presidente está perdendo votos por causa do Auxílio de R$ 400? Não. Tem que se somar a isso o comportamento deprimente do presidente nos 3 anos que já está no governo, especialmente no que diz respeito à pandemia. Mas o Centrão acredita que aumentando o auxílio para R$ 600 vai ajudar bastante e dar mais fôlego à candidatura. Em outras palavras, significa que essa questão tem como culpado o ministro da Economia, Paulo Guedes, aquele que chama de “maluco” quem diz que o crescimento está difícil. Guedes já disse mais de uma vez que os que não acreditam no crescimento do país são malucos, sim, malucos e equivocados. Talvez o ministro já tenha esquecido que o PIB do terceiro trimestre caiu para 0,1% e que o país entrou em recessão técnica. Não interessa: são todos malucos.

Guedes informa que há bilhões de dólares em compromissos de investimentos para os próximos anos, o que representa, como ele diz, “um crescimento contratado”. E daí? O problema é agora. Precisa aumentar o Auxílio Brasil para R$ 600, mas ninguém sabe de onde tirar esse dinheiro. Quando Bolsonaro determinou o auxílio em R$ 400, Paulo Guedes desmaiou e teve alucinações durante a noite, começou a ver fantasmas andando no teto do quarto. Um pobre ministro preocupado com a vida. De onde ele iria tirar R$ 400 para o auxílio? E agora estão inventando que esse auxílio será de R$ 600. O ministro vai enlouquecer. Pouco se falou, mas quando  Bolsonaro fixou o auxílio em R$ 400, Paulo Guedes quase deixou o governo. Mas aguentou as pontas, enquanto muitos de seus assessores pegaram o boné e foram embora para casa. E agora o Centrão ataca outra vez. A rejeição a Bolsonaro está alta demais. Não dá para enfrentar uma eleição assim. E Paulo Guedes está escondido em algum canto do Palácio do Planalto. Dizem as víboras do governo que Guedes não suportará novo aumento no Auxílio Brasil. O Governo não tem dinheiro. Seja como for, o Brasil já está acostumado a viver no fundo do poço. E a rejeição a Bolsonaro tem que baixar. O ministro que se vire.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.