Relação entre Bolsonaro e o PL já não é das melhores porque o presidente se acha o dono do partido

Ataques às urnas eletrônicas cria impasse na sigla, que vai tentando evitar um estrangulamento de todo o processo de candidatura

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 18/05/2022 13h28
Alan Santos/PR - 06/05/2022 Jair Bolsonaro Bolsonaro se filiou ao PL em novembro do ano passado

As afeições entre o presidente Jair Bolsonaro e o PL, partido a que se filiou, já foram melhores. Aquele amor inicial quando se uniram dá mostras de que está desaparecendo aos poucos. Uma separação agora seria um desastre, então o casal vai se suportando. O problema são as críticas constantes que Bolsonaro faz às urnas eletrônicas. O PL não aguenta mais, porque não deseja desavença com ninguém e já disse muitas vezes que confia nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral brasileiro. Como Bolsonaro pensa que o partido é dele, sai por aí falando todos os dias exatamente o que o PL não quer ouvir. Ocorre que o partido pertence ao político Valdemar da Costa Neto, que esteve preso quando do escândalo do mensalão no governo de Luiz Inácio da Silva. A união de Bolsonaro e o PL começa a revelar desgaste. Pelo tempo de casamento, um desgaste a esta altura não tem muito sentido. Mas cada um sabe de si. Bolsonaro demonstra que não vai dar tréguas. É mais ou menos assim: ou a eleição será com cédula de papel ou não haverá eleição.

Bolsonaro já causou muito problemas com essa questão. A mais constrangedora foi dizer no espetáculo de sua live de todas as quintas-feiras que os militares sugeriram realizar uma apuração paralela da eleição de outubro. Uma grande mentira. O Tribunal Superior Eleitoral se apressou em desmentir. Como presidente, Bolsonaro é o chefe supremo das Forças Armadas, mas também nesse caso não é o dono. Até porque se as Forças Armadas decidirem, mas se decidirem mesmo, Bolsonaro tem de sair de fininho do governo. Mas não se chegará a esse descalabro. O Brasil está parecendo uma caca, mas ainda não chegou a isso e dificilmente chegará porque a mentalidade é outra. Por enquanto, o PL vai suportando da melhor maneira possível, evitando um estrangulamento de todo o processo.

Agora Bolsonaro anda dizendo que o PL vai contratar uma empresa privada para fazer a tal auditoria das urnas. E ele mesmo garante que, com os dados fornecidos até agora pelo TSE, a empresa dirá que as urnas não podem ser auditáveis. Os dirigentes do PL consideram isso uma espécie de alucinação de Bolsonaro. E assegura que isso está fora de cogitação, até porque não deseja briga nenhuma com o Tribunal. O presidente fala também em fiscalização das urnas, mas como fazer fiscalização se as eleições brasileiras utilizam mais de meio milhão de urnas? Será que dá para colocar um fiscal em cada urna, no país inteiro? Bolsonaro não se dá por vencido. A ordem parece mesmo criar tumulto em todos os setores da vida nacional. O presidente continuará criticando as urnas eletrônicas. Seu próprio partido deixa claro que está fora disso. Seja como for, Bolsonaro já conseguiu o que ele sempre desejou: criar descrédito sobre a votação. Os políticos brasileiros, incluindo os péssimos, os corruptos e também os bons – que existem – dizem que o problema vai mesmo explodir se Bolsonaro for derrotado. Aí ninguém sabe o que poderá acontecer. Melhor dizendo: muitos sabem, mas preferem não dizer. 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.