Se candidatura de Simone Tebet depender do PSDB, decisão só será tomada em 2029

Não se entende por que Simone luta tanto para ser presidente da República, tendo apenas 2% da intenção de votos da população

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 06/07/2022 13h29
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO - 28/01/2021 Senadora de máscara Simone Tebet é pré-candidata à presidência nas eleições 2022

Afinal, por onde anda a senadora Simone Tebet (MDB), candidata à Presidência da República? De boa aparência, decidida, determinada, por onde anda? Está mesmo difícil achar notícia sobre a senadora. Muito difícil. Não acontece nada em relação a ela. Não se fala mais em terceira via e, assim, teremos de mergulhar numa eleição com duas candidaturas polarizadas e desprezíveis. Sabe-se que no sábado, 2,  a senadora esteve em Salvador, nas comemorações do dia 2 de Julho, dia da independência da Bahia, e lá se encontrou com o pré-candidato do PDT Ciro Gomes. Foi um encontro cordial, cheio de palavras bonitas e cumprimentos civilizados. Alguém até falou que os dois podiam se unir numa chapa. Mas isso é impossível. Eles têm muitas divergências na área econômica. Nessa hora, o presidente Bolsonaro estava andando de moto pelas ruas de Salvador. Simone escreveu nas redes sociais que democracia é civilização. Existem adversários, não inimigos. Foi uma beleza. Que mais se sabe sobre a senadora?  E o caso de seu vice, do decadente PSDB, Tasso Jereissati? Já foi resolvido?

Este colunista chegou a sonhar com uma terceira via. Mas caiu na real. Tem que ser o ex-presidiário por corrupção solto por uma manobra do Supremo Tribunal Federal e o atual presidente, que gosta de arrumar problema com todo mundo. As ações políticas de Simone Tebet não dão certo. Há sempre um problema a superar, que nunca é superado. Fica tudo para ser resolver depois. E Simone vai seguindo ninguém sabe por quê. Sabe-se que a senadora continua a dizer que ser desconhecida no país e por ser a única mulher candidata à Presidência é algo importante na campanha eleitoral. Diz estar tranquila com sua atual posição com 2% na intenção de votos dos eleitores. A pesquisa serve pelo menos para medir a rejeição do candidato. Garante que não tem qualquer preocupação com o percentual de intenção de voto. O que lhe interessa mesmo é o grau de rejeição, que define seus rumos como candidata. Simone afirma que está com pressa de percorrer o Brasil. Diz, ainda, mas só de vez em quando, que “mulher vota em mulher”. Ela sabe que não é assim. E faz questão de dizer que antes nas pesquisas ela era apenas um risco, depois pulou para 1% e agora está no 2%. E faz a sua leitura desses números: “Um aumento de 200%”. Seu interesse é chegar aos jovens, que somam um grande contingente de eleitores. Não é justo um jovem votando pela primeira vez na vida ter de encarar Bolsonaro e Lula. É dose para elefante. 

Simone Tebet pergunta: quem eram aqueles que diziam que, com ela, é 8 ou 80? Não, não é assim. Como afirma, não existe Estado mínimo ou Estado máximo. O que existe é Estado necessário. Ela assegura que, se for eleita, uma de suas prioridades é a paridade de gênero. Assegura que em política sempre se diz “homem público”, nunca “mulher pública”, admitindo que faltam figuras femininas de referência. Se for eleita, governará com 20 ministérios, 10 para homens e 10 para mulheres. Adianta que a vida inteira as mulheres foram obrigadas a andar atrás dos homens. E isso tem de acabar de vez. Não existe mais espaço para isso. No entanto, e infelizmente, muitos ainda pensam assim. 

Até agora o MDB está dividido em relação ao seu nome como candidata do partido. Quanto a Luiz Inácio da Silva e Jair Bolsonaro, Simone adianta que são dois lados da mesma moeda que se alimentam sempre com discursos de ódio. Sobre Bolsonaro, ela diz que política não é lugar de grosseria e palavras chulas. E garante que nunca estará no palanque de Lula. E assim segue Simone Tebet, aos tropeços, enfrentando problemas com partidos aliados e com desafetos declarados. Não chega a ser um D. Quixote, mas só lhe falta um amigo chamado Sancho Pança. Luta contra os moinhos de vento da política machista brasileira e parece estar distante de uma certa realidade que ainda não viu ou se nega a ver. Não se entende por que Simone luta tanto para ser presidente da República, tendo apenas 2% da intenção de votos da população. Esconde-se aí uma certa vaidade que ela não vai admitir nunca e dirá alguma frase que terminará com a palavra democracia. Não se entende mesmo. E tem mais: Se afinal sua candidatura ainda depende do PSDB, partido caindo aos pedaços, é provável que a decisão seja tomada mais ou menos em 2029.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.